17. abr, 2014

CURIOSIDADES BÍBLICAS 4

 


ELOHÎMS diz: O ato da vontade está na origem da palavra CRIADORA.
O ALCORÃO retoma o relato da criação que serve de fundamento a toda teologia judaica ou cristã. Também para ele, ALLAH - que é um nome derivado da mesma raiz de ELOHÎMS - É o Deus CRIADOR do céu e da terra, Senhor todo-poderoso, causa primeira e objetivo final da criação: O VERBO halaq, "criar", é empegado no ALCORÃO cerca de 200 vezes, o VERBO árabe haba'a, palavra afim ao hebraico bara, também aprece (Gn. 2:54; 57:22).

 



A SERPENTE DESPIDA: O drama da queda começa com um diálogo entre a SERPENTE e o HOMEM. O eco universal deste texto nasce de sua permanente atualidade. Ainda hoje, não há paraíso que não abrigue uma SERPENTE. Esta era considerada como a encarnação do mal e da astúcia. Na mitologia babilônica, ela é representada ereta, como um demônio ou um monstro fabuloso. Todo o drama da queda é narrado em termos fortemente humanos e não desprovido de humor ferino: Hava (Eva) se abriga atrás da SERPENTE, enquanto ADÂM (Adão) imagina fugir à sua responsabilidade abrigando-se atrás de sua mulher e tentando culpar ao próprio ELOHÎMS, que lhe pôs sobre os braços uma auxiliar realmente "contra ele". No meio do relato, como também do Éden, situa-se a ÁRVORE da PENETRAÇÃO, que dá àqueles que a comem "o poder de penetrar o BEM E O MAL" (Gn. 3:4,5, 7, 9 -17), Conhecer, 'idada', significa também "penetrar", "experimentar"; a palavra evoca a idéia do anteconhecimento e seu resultado (Gn 4:1). Cada uma das frases e cada uma das palavras inspiraram dilúvios de comentários: o texto fala incansavelmente ao mais profundo do homem, naquele cruzamento onde se abrem diante deles dois abismos, do BEM e do MAL, como um vórtice em si - seu poder de penetrar e de escolher livremente.

 

 

 

OS RABIS vêem no episódio em que ADÂM e HAVA são expulsos do ÉDEN um drama cósmico ligado ao processo da SALVAÇÃO. A queda espiritual do homem pode agravar-se de geração em geração, até alcançar o cataclismo do dilúvio. Mas paralelamente, no entusiamo das novas gerações do homem, surge a luz da TORÁ: palavra salvadora e código de vida de IHVH. Ela se reforça de Noâh (Noé) aos patriarcas, de Moshè (Moisés) aos Profetas, antes de triunfar totalmente sobre as "quebras" iniciais no fim dos tempos, na hora da reparação (tikoûn) e da redenção (gueoula) do MESSIAS.

 

 

 


OS TEÓLOGOS cristãos vêem aina neste relato uma "queda" e uma degradação das perfeições originais. Eles acentuam o caráter profundo, essencial e, em um certo sentido, irremediável da decadência humana. Preso nas redes do "PECADO", o homem não pode reencontrar sua inocência original sem a salvação trazida por Jesus Cristo, Filho de Deus, que se ofereceu em sacrifício expiatória dos PECADOS do mundo, e que, através de sua ressurreição, triunfou sobre a morte. Daí advêm o caráter cristológico de toda leitura cristã Bíblica.

 

 

 


NO ALCORÃO, acentua-se a revolta de ADÂM contra o mandamento de ALlah. O ISLAMISMO, religião da submissão à vontade de ALLAH pela intercessão do Profeta Mohamed (Maomé) e pela ordem do ALCORÃO, recomenta a prece e o arrependimento para reparar as consequências da desobediência de Adâm: "Nós dizemos: 'Olha, ADÂM, habita o jardim com tua esposa. Comei fartamente, como quiserdes. Mas não vos aproximeis desta ÁRVORE - estareis entre os fraudadores' (sura 2:35) e 'Então o Shaitân os precipita e expulsa dali de onde esteavam' (sura 2:36)". Desse modo, foi o demônio (que se havia recusado a prostrar-se diante dele, (sura 2:34) quem expulsou ADÂM do jardim e não ALLAH, criador, pai e salvador. Apesar da queda - onde o papel cumprido por HAVA não é especialmente acusado - o homem permanece a criatura privilegiada, saída diretamente das mãos do Criador, que faz dele o "CALIFA", o vice-rei do universo.

 

 

 

 

A ÁRVORE da VIDA, ela simboliza, na vida e nas tradições orientais, a aspiração do homem à VIDA ETERNA. Tendo experimentado o conhecimento, ele cai em poder da morte: uma última redenção, dirão mais tarde os doutores da SINAGOGA e da IGREJA, irá liberá-lo e o fará transpor o pórtico da VIDA ETERNA. Agostinho sublinha que três opiniões principais ressaltam de tudo o que foi dito a respeito do PARAÍSO:
1º - AS PRIMEIRAS COMPREENDEM LITERALMENTE;
2º - AS SEGUNDAS, EM UM SENTIDO ESPIRITUAL e
3º - AS ÚLTIMAS, NA AMBIVALÊNCIA ENTRE O ESPÍRITO E A LETRA.
Agostinho não previra a leitura crítica que vê no Paraíso um mito. Mito, símbolo ou realidade, o relato permanece cheio de significados e toca no mais profundo de nossas nostalgias e de nossas esperanças.

 

 

 

 

DAÍ a tentação do homem, que aspira a tornar-se como um ELOHÎMS: para chegar até lá, ele deve, conhecendo o BEM e o MAL, dissociar a unidade do real. Se o MAL introduz-se no universo criado por ELOHÎMS, ele não pode constituir-se senão numa revolta contra ele. É a lição que se retira do relato do FRUTO PROIBIDO. A revolta da criatura contra ELOHÎMS substituiu então o mito pagão da guerra dos deuses. O MAL se situa na recusa da criatura que pretende subtrair-se à ordem universal para tornar-se o que não estava destinada a ser. O episódio do "Éden" funda, assim, uma filosofia de culpa do homem, do crime, do castigo, das relações do casal homem-mulher, o convívio do homem com o animal e de seus resultados mais visíveis. Ele sublinha o laço existente entre o desejo e a sujeição da mulher, sua pena e sua prenhez. A revolta gera a servidão do trabalho, a maldição do homem e a maldição do solo, e, finalmente, a morte, que surge então pela primeira vez (Gn 3:19) - é ela que dá a plenitude de seu sentido ao relato. O casal homem-mulher detém, deste modo, as chaves da harmonia universal. O tema necessário da submissão da ordem deliberada por ELOHÎMS destaca-se com vigor: em um universo ontologicamente bom, a ordem é primeiramente fundada sobre o respeito à lei e sobre o castigo à lei e sobre o castigo para o crime: Adâm e Hava são expulsos do Éden, Caîn é castigado por seu assassinato, o dilúvio pune os crimes da humanidade, o fogo destrói Sedôm (Sodoma). A Bíblia descreve o encaminhamento das realizações desta verdade.