3. mai, 2014

CURIOSIDADES BÍBLICAS 9

 

Apesar de Jesus de Nazaré, os 12 apóstolos, Paulo de Tarso e grande parte da primeira geração cristã serem judeus de nascimento, as origens do cristianismo foram estudadas durante muito tempo sem dar maior atenção às suas indubitáveis raízes judaicas. A obra clássica de Wilhelm Bousset, Kyrios Christos, estabelecia uma oposição radical entre o cristianismo helenístico, muito influenciado pelas religiões mistéricas pagãs, e a comunidade dos primeiros cristãos da Palestina de raizama judaica. R. Bultmann desenvolveu este esquema histórico da formação do cristianismo em duas etapas, uma judaica e uma grega, contrapondo a figura do "Jesus história", que viveu na Palestina, à figura do "Cristo da Fé", desenvolvida pelo cristianismo helenístico. Bultmann acentuava ademais o influxo do GNOSTICISMO sincretista sobre o cristianismo helenístico.

  

A chamada "ESCOLA DA HISTÓRIA DA RELIGIÃO" insistia que os estudiosos do NT deviam conhecer Sêneca, Epicteto, Plutarco, Luciano, Musônio, Marco Aurélio, Cícero e os textos estoicos. Bultimann escreveu sua tese doutoral sobre a diatribe; H. Lietzamann chamou a atenção sobre os elementos gregos contidos nas listas de virtudes de vícios do NT; e M.Dibelius sugeriu que os chamados códigos domésticos eram empréstimos de origem estoica. A origem do cristianismo foi estudada preferenciamento em relação à religiosidade popular da época helenista, e, em menor escala, com a literatura e pensamentos da época grega clássica. O culto cristão aprecia intensamente relacionado com os cultos pagãos das "religiões Mistéricas" (de Elêusis, Dionísio, Osíres, Átis, Mitra, Ìsis, Serápis etc.). Os termos gregos mystêrion, sophía, Kyrios, Sôtêr etc., utilizados na cartas paulinas pareciam encontrar explicação adequada dentro do âmbito linguístico e filosófico grego.



TEXTUS RECEPTUS: Texto da segunda Bíblia rabínica (1518), reproduzida nas edições sucessivas da Bíblia hebraica (até a terceira edição de Kittel-Kahle). O texto está dotado de MASSORÁ. Acompanha-o a versão TARGÚMICA e uma seleção de comentários judaicos medievais. Em relação ao texto grego do NT denomina-se TEXTUS RECEPTUS o editado por Erasmo e revisado por Stepahnus, que serviu de base para edições posteriores até meados do século XIX.



TIQQUNÊ SOPERÎM (hb. "correções dos escribas"): Lista de passagens do texto MASSORÉTICO que os escribas emendaram por razões teológicas ou outras.



TORÁ (hb. "LEI" "Ensinamentos"): A LEI contida nos cinco livros do Pentateuco. O próprio PENTATEUCO.



TORÁ ESCRITA E TORÁ ORAL: A primeira é a BÍBLIA hebraica ou Antigo Testamento (A.T). A torá oral contém a tradição transmitida desde os profetas até os sábios de Israel e posta por escrito na MIXNÁ. Reconhece-se-lhe o mesmo valor da TORÁ ESCRITA por considerar-se também descendente da revelação dada a Moisés no Sinai. Seria bom observar bem este item.



UNCIAIS (Manuscritos): Códices escritos em caracteres gregos maiúsculos, em letras grandes e separadas, que a partir do século IX começaram a ser substituídos pelos códices com caráteres minúsculos.



VARIANTES: Leitura alternativa em um manuscrito ou um tradição textual (manuscrito ou família de manuscritos) ou literária.



VETUS LATINA: Versão ou versões (e recensões) para o latim, anteriores à Vulgata de Jerônimo.



VORLAGE: Original utilizado para fazer-se uma tradução, por ex. o original hebraico (Vorlage) da versão LXX



VULGATA:
Tradução da Bíblia ao latim realizada por Jerônimo no século IV. Nem todos os livros incluídos nas edições da VULGATA foram traduzidos por Jerônimo.