23. mai, 2014

CURIOSIDADES BÍBLICAS 12



Theîos anêr ou "homem divino": Se W. Jaeger poderia dizer que a filosofia da igreja não exerceu nenhum influxo sobre o Novo Testamento, mas somente sobre a literatura cristã posterior, hoje tende-se a pensar que Paulo conhecia de primeira mão, e não somente através de fontes judaicas, as tradições em voga entre os filósofos de sua época, e que chegou inclusive a fazer uso delas. Nestas últimas décadas conheceu-se um renovado estudo das relações entre os escritos do NT e os filósofos do mundo greco-romano, não unicamente com os estoicos, favorecidos no início de século (Sêneca, Musônio, Rufo, Epicteto), mas também com os platônicos, peripatéticos, cínicos, epicureus e pitagóricos, dentro da linha filosófica imperante neste período. O sincretismo caraterístico desta filosofia não é mais visto simplesmente como um processo homogenizado, que ocasiona a perda das diferenças culturais e religiosa, mas como um fenômeno de caráter próprio e autenticamente criativo. Neste sentido são significativos os estudos recentes sobre a figura do theîos anêr ou "homem divino".

 



Resultou particularmente frutífero o estudo da relação enter os gêneros gregos e os escritos neotestamentários: Bultmann já havia estabelecido uma relação entre o gênero da diatribe cínico-estoica e o estilo da pregação de Paulo. Mesmo o gênero "evangelho", considerado geralmente como uma criação literária própria do cristianismo, foi posto em relação com as aretologias helenísticas (Hadas, M. Smith, Köster). Todos os gêneros literários do Novo Testamento encontram paralelos antecedentes na literatura grega: o anedótico, o apotegma, a parábola, o relato de milagres e os dito (logia) da fonte Q (Quelle) nos Livros Biográficos sinóticos.