26. abr, 2015

ANTROPOLOGIA – Aula 01

Teologia, literalmente, significa saber a respeito de Deus e articulação deste conhecimento em palavras humanas. Logo, devemos destacar: cada afirmação teológica revela ao mesmo tempo algo da natureza humana. As frases e as obras teológicas são constituídas por Palavras e conceitos humanos. Não podemos ignorar, portanto, o elemento humano na teologia. Para avaliarmos qualquer palavra dentro da nossa experiência cotidiana, precisamos conhecer o locutor. 

 

O Antigo Testamento (A.T), por sua vez, salienta ainda mais essa ligação entre Deus e homem. Testemunha, de várias maneiras, o fato de que Deus mesmo estabeleceu tal relação íntima. Na criação, Deus constrói um ser humano conforme sua própria semelhança (Gn.1:26s; Sl.8:4ss). E toda a idéia da aliança culmina na asserção: “serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo” (Lv.26:12; cf. Êx 6:7; 19:5s; Dt.7:6; 26:17s; Jr.7:23 etc). Os escritores do A.T. sabiam que Deus não pertencia a um universo vazio, mas sim, ao lado humano do mundo. Mais especificamente, ele pertencia ao povo eleito: Israel. Por isso, o AT. fala muitas vezes em afeição, misericórdia, zelo de Javé para com seu povo.

 

COMO podemos entender a inter-relação de Deus e homem afirmada no AT? A linha atéia da filosofia moderna (L. Feurebach, K. Marx. F. Nitzsche. S. Freude. B. Russel etc.) e mais intensivamente ainda a vivência técnica ocidental reduzem o homem a si mesmo. Deus, conforme eles, torna-se mera projeção de emoções e ânsias humanas.” Quem escreveu este comentário foi Gerhard Gerstenberger esquecido que muitos, chamados de ateus, não se voltaram contra Deus e sim contra as interpretações religiosas, assim como nós, alunos autênticos da escola do Mestre Jesus. Deus, conforme eles, torna-se mera projeção de emoções, é claro, evidentemente, tal interpretação da realidade contradiz a convicção fundamental da fé bíblica. Nem o homem nem o mundo como um todo são redutíveis a si mesmos. O homem sempre tem que se transcender em direção a Deus, tem que procurar os fundamentos da sua existência fora de si mesmo. E, de fato, o faz inclusive dentro de um sistema ou ideologias materialistas.

 

Qualquer teologia enraíza-se no seu lugar histórico, isto é, na sua relatividade e limitação “... agora vemos como em espelho, obscuramente...” (1ª Co.13:12). Isto não significa cair num relativismo insondável. Significa isto sim, que devemos avaliar cada teologia como um sinal na caminhada, visando um alvo distante.

 

A conclusão para a AT deveria ser a seguinte: todas as afirmações teológicas do antigo Israel foram condicionadas por situações humanas e culturais, das quais surgiram. Como povo nômade, antes da tomada da terra, Israel imaginava o seu Deus quase identificado com a ordem moral e econômica existente. 

 

(Continua na proxima aula)

 

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Israel Sarlo

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