28. abr, 2015

ANTROPOLOGIA – Aula 02

Para relativizar a nossa própria perspectiva teológica, cunhada por pensamentos gregos, admitimos que o Antigo Testamento (A.T.) originalmente tinha outras prioridades do que a compulsão ocidental de definir o ser divino. Falando em Deus, os autores do A.T. jamais se agarraram à qualquer teoria especulativa. Sempre insistiram que seria impossível e ilegítimo conhecer Deus apenas em termos intelectuais ou culturais (cf. Ex.3:4-6; Dt. 6:4s; Js. 24:14s; Os.4:1-6; Am.5:21-24; Is.58:6s; Sl.50 entre outros.) O A.T., portanto, definitivamente exclui a atitude de observador entre os homens. Pede uma vivência ativa em comunhão com Deus. Freqüentemente, fala em adoração, respeito, amor, obediência diante de Javé. Daí podemos aprender: a curiosidade científica por si só não serve na relação com Deus . É preciso, isto sim, falar nele no contexto do nosso mundo. Naturalmente, implicando, também, em arriscar definições do divino. Mas todo o nosso falar em Deus seria somente “como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine” (IªCo.13:1) se acontecesse sem o amor que ele quer inspirar em nós. Em outras palavras: a teologia tem que se implantar numa posição existencial que envolve o homem, a sociedade de modo integral; a teologia, de jeito nenhum, se pode limitar ao intelecto do crente, nem às escolas ou aos cultos da comunidade.

 

Como podemos descrever a inter-relação entre Deus e o homem, considerando imprescindível essa participação do homem nas obras de Deus? O A.T. dá ao homem o papel de administrador da terra (Cf. Gn.1:28; Sl.8:3s; Pv.28:19s etc.). O povo de Israel, seus líderes, profetas, sacerdotes se tornaram colaboradores de Javé. No Novo Testamento (N.T.) bem como na história eclesial posterior, há amplos indícios de que tal teologia da participação nunca foi esquecida. “... somos cooperadores de Deus...”, diz Paulo (1ª Co.3:9) e inúmeros cristãos de todas as épocas vivenciaram essa cooperação no reino de Deus. Parece que hoje em dia a experiência da participação plena e da solidariedade com Deus está ganhando mais importância. O homem, por causa do poder a ele prestado, se torna mais profundamente responsável pelo bem-estar do mundo todo. Será que poderíamos afirmar que o homem participa na realização de Deus neste mundo? Ou, pelo contrário, poderia impedir o reino de Deus? São formulações tentativas e perigosas, sim. Mas justamente aquelas teologias vigentes que visam a libertação dos oprimidos nos países do terceiro mundo bem como nas camadas mais baixas da população do mundo industrial, com muita razão sugerem um desenvolvimento necessário da nossa reflexão teológica nesta direção.

 

(Continua na proxima aula)

 

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Israel Sarlo

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