30. abr, 2015

ANTROPOLOGIA – Aula 04

Observando agora o AT mais de perto notamos a sequência de várias teologias. Na verdade, não é de estranhar que a fé israelita se desenvolvia na sua história milenar atestada no AT (1200 aC. até 200 aC.), através de mudanças e quebras profundas. Todas as valiosas pesquisas já realizadas, permanece uma tarefa urgente às historiografia para esclarecer os motivos externos que instigaram as relevantes mudanças teológicas. Para nós, resta salientar o resultado do grosso, já garantido pela ciência veterotestamentária. 

 

Temos que distinguir certas fases distintas do desenvolvimento histórico e espiritual na época do AT.  No início, é claro, Israel era um povo nômade, ou seminômade, aderindo a uma religião patriarcal:

 

 1º- A colonização da terra prometida trouxe mudanças graves.

 2º- Adotaram-se santuários fixos, um sistema elaborado de sacrifícios com todas as implicações imagináveis para o conceito de Deus.

 3º- A terceira grande quebra aconteceu com a introdução da monarquia em Israel. Agora, as exigências da corte real e da política imperialista se impunham ao pensamento teológico.

 4º- Logo em seguida, os períodos do cativeiro babilônico.

 5º- A reconstrução eclesial e espiritual sob o domínio dos persas.

 6º- O confronto com as crenças e filosofias helenizantes.

 

Para um estudo mais profundo, contudo, não bastam as grandes divisões da história israelita. No decorrer de um determinado período, às vezes, aconteceram mudanças revolucionárias. Assim a transição da religião dos patriarcas para o javismo se deu na primeira fase indicada. E enquanto a monarquia unificada, sob os reis Davi e Salomão, criou uma teologia quase imperialista (cf. IIº Sm.24; IIº Sm.7; Iº Rs.8; Sl.2; Sl 46 etc.), acabaram-se bem cedo esses sonhos israelitas de dominar, com a ajuda de Javé, todos os povos vizinhos. Quebrou-se a união do reino davídico, e surgiram potências maiores no Oriente Médio que logo começaram a exercer o poder sobre as nações pequenas. Israel tinha que lutar pela sobrevivência, tomando o caminho do sofrimento, no qual se tornava exemplar para toda a humanidade.

 

Qualquer divisão histórica feita por nós hoje não estabelece, como é costume na produção industrial, unidades homogêneas que obedeceriam rigidamente a uma única orientação espiritual. O homem é um ser que se lembra do passado. Tenta sempre, como razão, utilizar até experiências de outrora. E a teologia geralmente pertence às instituições mais conservadoras da sociedade. Inclusive, os profetas do AT atacavam seu ambiente cultural, político e econômico, partindo de conhecimentos e valores antigos (cf. Am 5:25; Os.2:15; Is.1:1ss; Jr.6:16; Ez.16:3ss).

 

Constatamos, então, que cada período tem o seu perfil bem especial, embora mantendo, muitas vezes, idéias bastante remotas de determinada fase da história. O que, certamente, vale para as concepções de Deus que estamos estudando.

 

(Continua na próxima aula)

 

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Israel Sarlo

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