1. mai, 2015

ANTROPOLOGIA – Aula 05

Infelizmente, até hoje não se considerou com a devida atenção, na teologia vetotestamentária, a importância das situações sociais para a formação de conceitos teológicos. As ciências humanas descobriam a influência formativa das condições sociais na vida intelectual e emocional do homem. Com referência ao AT isto significa que as diversas concepções teológicas reconhecíveis nos escritos de Israel não somente refletem suas respectivas épocas ou situações históricas, mas ao mesmo tempo são cunhadas por suas origens sociais. Faz uma diferença considerável, se um seguidor de Javé fala em Deus, isto é, no mesmo Deus, na perspectiva agrícola ou da vivência urbana, como representante de uma burocracia real ou como chefe ou membro de um clã. Ele tem que considerar os acontecimentos históricos, quando possível, relevantes para um determinado texto do AT. Localizá-lo dentro de sua teia de relações sociais da qual surgiu. Assim, a monarquia e a organização militar foram abolidas depois da derrota de 587 aC. O sistema familiar e a instituição religiosa no entanto, ou sobrevivem à crise ou se recuperam mais tarde. Com isso permaneceram relativamente estáveis também os interesses e anseios, bem como, aliás, os conceitos de Deus, de determinada gente dentro de sua teia de relações sociais.

 

Para citar alguns exemplos: O Javé do AT sempre foi, e de modo crescente se desenvolvia neste sentido, um Deus paternalista (cf. Jz.4:4s; Ex.21:7ss; Lv.15:19ss; 21:9; Dt.22:13ss; Ed.9-10). Tal característica remonta, sem dúvida alguma, à ordem patriarcal da sociedade israelita. O Deus que morava em um templo, cuja santidade protegia o monte Sião, era, certamente, um deus urbano. O Deus, que lamentava a miséria de Israel, sofrendo com o povo (cf. Os. 11:1ss; Jr. 4:19ss; 31:20; Sl.12:5) era de fato um deus dos oprimidos. O condicionamento social da teologia é de suma importância, justamente para qualquer exegese bíblica na América Latina. 

 

A interpretação sociológica tem fortes raízes em alguns métodos tradicionais de exegese, a saber, a história das formas literárias e do processo traditivo, a análise linguística e estruturalista, quando consideram língua e estruturas como fenômenos sociais.

 

(Continua na proxima aula.)

 

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Israel Sarlo

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