1. mai, 2015

ANTROPOLOGIA – Aula 06

Diante da variedade de expressões teológicas encontradas no AT temos que perguntar: Qual é sua mensagem para nós? Como podemos abordar o AT a fim de ouvirmos a voz do Deus vivo? Embora sejam métodos freqüentemente usados, queremos excluir desde o início dois modos de procedimento para a interpretação e a adaptação do AT a nossa situação:

 

1º- O hábito de simplesmente se fazer uma síntese de todas as concepções teológicas manifestas nos escritos veterotestamentários. Contra isso se revolta a nossa consciência histórica e teológica. Como poderia ser possível somar atribuições do Senhor na atualidade de hoje?

2º- A tentativa comum de escolher traços dá imagens de Deus do AT de nosso agrado. Inclusive, existe a forte tendência de aplicar um filtro assim chamado “cristão” aos conceitos veterotestamentários de Javé. Também tais empenhos restritivos são inoportunos, porque impossibilitam o reconhecimento de Deus hoje.

 

O caminho certo parece ser comparar as situações do At, nas quais se formaram os pensamentos e textos sobre Deus, com nossa situação. A partir disso temos que descobrir o Deus atuante na realidade de hoje. Os critérios teológicos do AT, dada à analogia das situações, servem como indícios e corretivos para nossas afirmações a respeito.

 

Para exemplificar essa opção hermenêutica diremos que a análise do AT e da realidade atual leva à conclusão de que a “opressão” constitui a situação análoga da qual podemos partir. Estamos vivendo, quase todos nós, num verdadeiro cativeiro babilônico, ou seja, numa escravidão egípcia. Incontestavelmente, existe um domínio total da técnica sobre a humanidade. Além disso, países e classes privilegiadas brutalmente exploram os fracos. Na verdade, a opressão moderna não é idêntica àquela sofrida por Israel. Não obstante, podemos constatar com igual certeza, que as situações de domínio e opressão de outrora e de hoje revelam afinidades suficientes para fazermos comparações. Sobretudo, parece teologicamente legítimo invocar aquele Deus libertador, cujo rosto nós achamos nos testemunhos do antigo povo de Israel. Com isso, caem fora de consideração, carecendo de uma interpretação pelo contrário, as situações e as teologias de dominação dentro do AT (cf. IIº Sm.7; Sl.46).

 

São necessários que nossos seminários teológicos e nossos pastores ensinem a realidade hodierna, através das ciências humanas. Infelizmente os nossos ensinadores querem colocar a Palavra de Deus pura, sem qualquer avaliação histórica, dentro de nossa realidade. Estão esquecidos que esta Palavra está sempre enraizada nas condições humanas de determinada época, tornando assim imprescindível todo o processo de atualização através de comparações e transições à luz da realidade de hoje. Afinal, “Ele não é Deus de mortos, e, sim, de vivos” (Mt.22:32).

 

Às vezes são compreensíveis as ressalvas contra uma teologia histórica e crítica. Divulgam-se, sobretudo, nos países desenvolvidos, obras teológicas e estudos exegéticos que parecem bastante sofisticados, abstratos e afastados da realidade contemporânea. Por vezes, tem boa razão essa denúncia. Mas não se deve esconder ou esquecer, na igreja de Jesus, O Cristo, que o Verbo se torna carne (cf.Jo.1:14). Quer dizer, ele entra integralmente em uma determinada situação cultural, identificando-se com os homens que têm fome e sede de justiça, paz e amor (cf.Mt.5:6ss). Em conseqüência, existe só uma única avenida para se reconhecer a imagem de Deus na história: estudar minuciosa e detalhadamente as circunstâncias concretas dos eventos reveladores. Isto sempre engloba a averiguação dos elementos humanos da revelação divina. Não adiante recorrer a um Deus imutável e, por isso mesmo, desconhecido. O Deus vivo sempre de novo atua de maneira surpreendente conforme as situações históricas e sociais (cf. Jo.8:31ss).

 

(Continua na próxima aula.)

 

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Israel Sarlo

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