21. mai, 2015

O NOVO E O VELHO TESTAMENTO – Aula 03

A SINFONIA INACABADA

 

Tente imaginar-se lendo ou estudando o Velho Testamento pela primeira vez. Vamos supor que você tenha um amigo judeu que lhe diga: “Nossas Escrituras hebraicas são maravilhosas; você deve lê-las”. E você responde: “Suponho que quer dizer a Bíblia”. Ele replica: “Não, a Bíblia é composta do Velho e Novo Testamento. Nós judeus acreditamos apenas no Velho. Essa é a nossa Escritura. Não se preocupe com o que esses cristãos chamam de Novo Testamento. Leia o Velho Testamento e não apenas uma vez; ele é maravilhoso demais”.

 

Você lê então o V. T. uma vez e, naturalmente, a primeira seção que percorre é a Torá ou Lei – o “PENTATEUCO”. A coisa que mais prende sua atenção é a predominância do sacrifício de animais. Ele começa bem cedo em Gênesis 4, ocorrendo de novo nos capítulos 9, 12 e 22. Apresenta-se claramente em Êxodo, até que em Levítico surge toda uma organização de sacrifícios, ofertas, rituais e cerimônias, de algum modo indicam realidades além de si mesmo, embora isto não seja em ponto algum explicado claramente. Todavia, você continua lendo os demais livros, esperando encontrar uma explicação. Você viaja através dos livros (Josué a Ester), os de filosofia (Jó a Cantares de Salomão) e os proféticos (Isaías a Malaquias); mas apesar dos sacrifícios e cerimônias da Lei serem mencionados repetidamente, você chega ao final do Velho Testamento sem obter o esclarecimento que precisa e tem uma sensação decepcionante de que o V. T. é um livro de CERIMÔNIAS INEXPLICADAS.

 

Mesmo assim, você conclui que o V. T. é na verdade o livro mais maravilhoso que já leu e que os judeus são uma raça notável. Será verdade que os judeus são o “povo escolhido” de Deus, com um elevado propósito e destino? Você deve então lê-lo totalmente de novo. Começa outra vez em Gênesis. Observa a aniquilação da civilização antediluviana e a aliança de Deus com Noé, prometendo que a raça humana jamais seria destruída de novo pelas águas. A seguir encontra a aliança de longo alcance feita com Abraão em Gênesis 12, 15, 17, 22, renovada, mais tarde, com Isaque e Jacó. A seguir aprende como as doze tribos foram libertadas do cativeiro do Egito pelo braço estendido do Senhor, fundidas em uma nação no Sinai, recebendo uma Lei e ordenanças e constituindo uma teocracia. Você observa o povo da aliança invadir e ocupar Canaã: o futuro está repleto de oportunidades. Mas, lamentavelmente, segue-se o Livro de Juizes com suas sórdidas decadências e servidões. O primeiro Livro de Samuel recapitula a mudança de teocracia para monarquia. Iº Reis mostra a divisão do reino em dois. IIº Reis termina com a ida de ambos os reinos para o exílio. Iº e IIº.Crônicas narram a trágica história. Em Esdras, Neemias e Ester, um remanescente volta para a Judéia; mas trata-se apenas de um remanescente. Os muros de Jerusalém são reconstruídos, mas o trono davídico não mais existe. Os judeus são uma minoria dependente na Judéia; fora dela eles foram dispersados nos quatro cantos da terra.

 

Você continua lendo os livros de filosofia, mas eles nada falam a respeito disso; os profetas também não fazem qualquer menção sobre os mesmos, exceto o último trio, Ageu, Zacarias e Malaquias, onde as coisas não vão nada bem com o remanescente que voltou. Você termina assim sua segunda leitura do Velho Testamento com um triste suspiro, achando que é o livro de PROPÓSITOS INATINGIDOS.

 

Uma coisa, porém, se destaca agora com poder cativante: em seus aspectos espirituais o V. T. é certamente incomparável e você pode entender muito bem porque os judeus se orgulham dele. Na verdade vai ter que fazer nova leitura, pois aqui, com certeza, o Deus verdadeiro é revelado, assim como o caminho para descobri-lo! Você começa outra vez em Gênesis. Este é com certeza o mais confiavel e sublime relato das origens jamais escrito! Você examina de novo Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio. Esta é verdadeiramente a Lei mais maravilhosa que já foi dada! Mas o seu interesse especial está agora concentrado nos livros filosóficos do grupo poético, de Jó a Cantares de Salomão, pois são eles que tratam dos problemas dolorosos e pessoais do coração humano. Irá sem dúvida encontrar neles a solução! Mas, isso acontece? Não. Embora sejam realmente esclarecedores, penetrantes, práticos, cheios de conselhos, lições e promessas consoladoras, de certa forma, não contêm soluções claras ou finais para os terríveis problemas do pecado, do sofrimento, da morte e do além. Você continua gemendo com Jó: “Ah! Se eu soubesse onde encontrá-lo!” Nos escritos dos profetas que se seguem você encontra os mais elevados pontos de ética e as mais surpreendentes predições, mas eles não resolvem sua busca espiritual; e você termina sua terceira leitura do Velho Testamento, percebendo igualmente ser ele um livro de ANSEIOS INSATISFEITOS.

 

Entretanto, mesmo agora, você não pode finalmente esquecer-se de suas páginas, pois ao lê-lo tornou-se também interessado na busca da realidade e, além disso, descobriu nele um certo fenômeno surpreendente que não se encontra em nenhuma outra religião ou filosofia debaixo do sol. Este aspecto singular impressionou você cada vez mais à medida que releu o livro. Trata-se da maravilha da profecia do Velho Testamento, especialmente a profecia no sentido de predição. Não pode haver qualquer dúvida sobre a sua autenticidade. Previsões traçadas com ousadia, estendendo-se sobre o tempo, notavelmente detalhadas, a respeito do Egito. Assíria, Babilônia e outros grandes poderes foram expostos e depois cumpridas com tanta exatidão que qualquer investigador sincero precisa concordar, “Este é o selo do Deus vivo sobre essas Escrituras”. Além disso, o cumprimento das profecias garante a consumação similar de muitas outras que se projetam para um futuro ainda mais distante. O corpo central da profecia do V. T. fala sobre o futuro como nenhuma outra literatura jamais o fez e o guarnece com a reparação mais compensadora e final. Tudo se concentra na idéia de que ALGUÉM ESTÁ CHEGANDO, e será resposta de Deus ao clamor das eras.

 

Muito antes, em Gênesis 3:15 o “descendente da mulher” é renovada a Abrãao; Isaque e Jacó, nos capítulos 12, 17, 22, 49. Existem traços dela em todos os rolos sucessivos do V. T. até que Isaías e seus companheiros, o fluxo de profecia messiânica chega ao ponto mais alto. Todavia, ao chegar a Malaquias, embora impérios tenham parecido, séculos marchando para a antigüidade e os videntes jazam em suas sepulturas, o Prometido não veio. “Eis que Ele virá!” exclama Malaquias enquanto também ele, o último dos profetas, desaparece por trás da cortina nevoenta do passado; mas é preciso que se retire, e você termina o Velho Testamento compreendendo que é um livro de PROFECIAS NÃO CUMPRIDAS.

 

O Velho Testamento então, em seus quatro compartimentos –  o organizacional, o histórico, o filosófico e o profético – é um livro de:

 

 1º)- LIVRO DE CERIMÔNIAS INEXPLICADAS;

 2º)- LIVRO DE PROPÓSITOS NÃO ATINGIDOS;

 4º)- LIVRO DE ANSEIOS INSATISFEITOS e

 4º)- LIVRO DE PROFECIAS NÃO CUMPRIDAS.

 

 

(continua na proxima aula)

 

 

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