24. jul, 2014

NOVO TESTAMENTO PRIMITIVO - (Aula 14)

Os livros de Introdução ao N.T. tratam geralmente só da literatura canônica, isolando-a totalmente da literatura apócrifa do AT e do NT e separando-a da literatura rabínica e da literatura cristã da época subapostólica e patristica. Duas obras recentes e muito significativas se apresentam, pelo contrário, como verdadeiras histórias da literatura cristã primitiva em seu conjunto. A obra de PH. Vielhauer, História da Literatura Cristã Primitiva, não deixa de estabelecer, todavia, uma divisão entre a literatura cristã primitiva e a literatura pratrística, não somente por razões históricas e teológicas, senão também por motivos de caráter literário: os gêneros do NT (cartas, biográficos, apocalipses e "atos") não tiveram continuação, desenvolvimento na literatura patrística. A obra de H. Koster, Introdução ao Novo Testamento, pretende ir além e desenvolve uma história da literatura cristã primitiva, canônica e não-canônica, no contexto do mundo literário, religioso e cultural da Antiguidade. Koster não justificava, no entanto, com clareza, quais são os critérios da relação entre os diferentes textos e o citado contexto, nem explica tampouco no que é que contribui para a compreensão da literatura cristã primitiva inserida na literatura greco-romana da época. Os textos e os contextos são apresentados como entidades justapostas, sem que apareça claramente a conexão entre uns e outros. Deste modo o leitor dificilmente perceberá que o judaísmo constitui efetivamente o marco de referência para o estudo do celestianismo primitivo.

 

Os livros de Introdução ao NT e ao AT seguirão centrados na literatura canônica, pois esta constitui a referência obrigatória de todo estudo da Bíblia, não já tanto ou somente por tratar-se de textos sagrados do judaísmo e do cristianismo, senão pelo fato de que a Bíblia canônica, como livro constituído por uma determinada série de livros e não outros, teve um influxo decisivo na cultura do Oriente e Ocidente e contiuna sendo um ponto de referência da criatividade literária e teológica.

 

Israel Sarlo

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