7. dez, 2014

DESAFIO - O ARAMAICO – Aula 34

Hoje damos início a estudo do ARAMAICO. Vamos buscar entender a diferença entre o ARAMAICO e o HEBRAICO. Vamos ver o que a história nos conta sobre esta língua tão importante, já que foi convertida mais tarde na língua oficial dos impérios assírios, neobabilônico e persa.

 

Ao período antigo correspondem as inscrições de Zinjirli (Sam' al), escritas em dialeto arcaico com características ocidentais, assim como as de Sefire, nas quais se encontram expressões próprias também do hebraico bíblico. O aramaico oficial ou imperial eram utilizados pelas populações das regiões ocidentais, absorvidas depois pelo império assírio. Grande parte da documentação conservada, procedente da época do império persa, está escrita neste aramaico, relativamente homogêneo, embora algumas obras, como os provérbios de Ahigar, estejam escritas em dialeto assírio.

 

As breves seções de textos bíblicos escritas em aramaico correspondem ao aramaico imperial. A ortografia aparece, todavia, modernizada. A passagem de Ed. 7:12-26, transcrição de um decreto do rei persa, assim como Ed. 4, 8-6, 18, que recebe igualmente correspondência oficial, reproduzem o aramaico imperial, característico deste tipo de escritos. Não é fácil explicar, no entanto, por que razões outras passagens do A.T (Jr. 10, 11 e Dn. 2:4b - 7:28) também estão escritas em aramaico. Convém levar em conta, por outro lado, a possibilidade de que alguns textos bíblicos, que chegaram até nós, em grego e inclusive em hebraico, não podem ser senão traduções de originais escritos em aramaico.

 

O aramaico médio corresponde ao período compreendido entre 300 aC e 200 dC. Depois da queda do império persa, o grego foi progressivamente substituindo o aramaico como língua bastarda. O aramaico oficial foi experimentando um processo de fragmentação em dialetos locais. Sobreviveu, no entanto, como língua literária e de uso oficial em documentos e inscrições.

 

Na língua literária estão redigidos os capítulos aramaicos do livro de Daniel, assim como alguns textos encontrados em Qumrã: Tobias, Sonhos de Nabônides, fragmentos de Henoc e Melquisedec, Pseudo-Daniel, Gênesis Apócrifo, Testamento de Levi, Targum do Levítico e Targum de Ônkelos do Pentateuco e o Targum Jonatan (ben-'Uzzi'el) dos Profetas. A utilização posterior destas versões aramaicas na Babilônia a fez com que seu texto sofresse influências características dos dialetos próprios do aramaico oriental. Obras posteriores como a Megillalt Ta 'anit (c. 100 dC) e Megillat Antiocos estão escritas também neste aramaico literário. Dado o caráter conservador da linguagem jurídica, não é estranho que as formulas legais citadas na Mixná e nos dois Talmudes, jerosolimitano e babilônico, reflitam também a língua do período anterior.

 

Inscrições e papiros de Palmira, Petra e outros lugres permitem conhecer os dialetos nabateus e palmirenhos. O primeiro mostra influência árabe no vocabulário e na sintaxe; o de Palmira sofreu ainda outros influxos orientais.

 

Continuaremos na próxima aula. Até lá.

 

Israel Sarlo

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