9. mar, 2015

DESAFIO - O GREGO - Aula 38

O estudo dos papiros encontrados no Egito (Deissmann), permitiu perceber que a língua da LXX e do Novo Testamento é reflexo da língua Koiné ou comum, falada na época helenística, desde Alexandre Magno até o fim da época antiga nos tempos de Justiniano (século VI). Os papiros oferecem paralelos, ex., a uma forma tão característica da LXX coo êltha, "eu vim" (êlthon" em ático).

 

É preciso advertir que era koiné a língua vulgar do povo grego como a língua culta dos escritores da época (Políbio, Estrabão, Fílon, Josefo e Plutarco). Exemplos do grego koiné coloquial judaico aparecem nos escritos de Jose e Asenet e nos Testamentos dos 12 Patriarcas. Conservam a estrutura básica do dialeto ático, misturado com elementos jônicos, dóricos e eólicos, com contribuições sintáticas, lexicais e estilísticas de outras línguas. Entre as contribuições contam-se numerosos semitismos e latinismos. Entre os primeiros cabe assinalar o giro de prosétheto.

 

No século I e II dC produziu-se um movimento "aticista" que pretendia devolver à língua comum a correção e o estilo dos áticos. Esta corrente afetou 4 Macabeus, as obras de Josefo e também a transmissão textual da versão da LXX. Os copistas desta época trataram de corrigir o estilo da antiga versão adaptando-a aos antigos cânones áticos. Assim por exemplo a forma koiné eîpan, "eles disseram", foi corrigida pela forma clássica eîpon.

 

A consideração do grego bíblico com língua koiné do período helenístico não impede que se reconheça, contudo, as peculiares características da língua da Bíblia grega e em particular do NT, que não pode simplesmente, sem matizes, ser identificada com o grego "secular" dos papiros. O influxo semítico se adverte não somente na presença de semitismos e aramaicos, mas também na lexicografia e na semântica. Assim por ex. o termo hipóstase do NT (b. 11:1) encontra melhor explicitação a partir do grego da LXX e do seu equivalente hebraico (tohelet, "esperança confiante e paciente"), que a partir do grego parousía está mais próximo do significado que lhe dá Josefo (Antiguidades Judaicas, 3, 203), referente ao círculo em torno do tabernáculo (quer dizer, a Shekînâ ou presença teofânica de Deus), que ao significado de vinda ou presença régia, sentido recebido nos papiros.

 

Israel Sarlo

www.facebook.com/caminhoeavida