23. mar, 2015

DESAFIO - O GREGO - Aula 39

Para além das críticas feitas contra a tendência da teologia bíblica em conferir significado teológico a determinadas palavras, independentemente do contexto em que se encontra a semântica bíblica não pode menosprezar as características do pensamento semítico que conforma a linguagem e a lexicografia da LXX com o Novo Testamento. Termos como dóxa, diathêkê, psikhê, soma, diánoia, kòsmos etc., acrescentam sentidos novos e diferentes a respeito do significado que tinham os termos hebraicos correspondentes. Não se pode olvidar, por outro lado, que a experiência vivida pelos primeiros cristãos a possuía também força criadora de linguagem, que haveria de desembocar na cunha de neologismo como antikhristos, diábolos, euaggelismós, entre outros.

 

Quis-se também explicar a particularidade do grego bíblico mediante a hipótese da existência de um dialeto “judeu-grego”, escrito e falado por judeus de diversos lugares e épocas. Atualmente tende-se a explicar as características próprias do grego da LXX como um fenômeno derivado da própria tradução, o que justifica e torna necessário um estudo intenso das técnicas de tradução utilizadas. O fato de tratar-se de uma tradução justifica o estranho significado dado a alguns termos, o uso indiscriminado de termos próprios da prosa ou da poesia, a cunhagem de neologismos, etc. Para definir o grego neotestamentário recorreu-se a uma explicação eclética que leva em conta fatores bastantes diversos:

OS LIVROS BIOGRÁFICOS SINÓTICOS e

LOGIA DE JESUS EM PARTICULAR.

 

Eles refletem um grego da tradução, mais literário que literal; o influxo da LXX, evidente ao longo de todo o NT, manifesta-se sobretudo no LIVRO DE LUCAS, assim como na utilização das CARTAS PAULINAS de conceitos hebraicos como de “JUSTIFICAÇÃO” ou “PROPICIAÇÃO”; o APOCALIPSE reflete sobretudo a fala judeu-grega das sinagogas.

 

 

Israel Sarlo

www.facebook.com/caminhoeavida