12. jul, 2014

HEBREUS - AULA 1

SALVAÇÃO SEGUNDO O ESCRITOR DA CARTA AOS HEBREUS

 

"POIS SOMENTE NÓS, OS QUE CREMOS EM DEUS, PODEM ENTRAR NO SEU LUGAR DE DESCANSO...". Hebreus 4:3.

 


Porque escolhemos a carta aos Hebreus para falarmos de salvação?
A carta aos Hebreus é a carta de todo o Novo Testamento que mais exalta a obra de salvação obtida no sangue de Jesus. Possui o texto mais longo sobre a segurança da salvação (Hb 6:13-20).

 

Vejamos alguns textos sobre a segurança da salvação:

"Autor da salvação eterna" (5:9).
"Plena certeza da esperança" (6:11).
"Pode salvar totalmente" (7:25).
"Eterna redenção" (9:11-12).
"Eterna herança" (9:15).
"Uma vez por todas" (10:10).
"Aperfeiçoou para sempre" (10:14).
"Intrepidez para entrar" (10:19).
"Em plena certeza de fé" (10:22).
"Sem vacilar... quem fez a promessa é fiel" (10:23).
"Jesus, Autor e Consumador de nossa fé" (12:2).
"Participante de sua santidade" (12:10).
"Tendes chegado..." (12:22-24).
"Sangue da eterna aliança" (13:20-21).

 

O autor exalta o sacrifício perfeito de Jesus, realizado uma vez por todas (10:10).
Declara que Jesus é Sumo-Sacerdote para sempre, nomeado por Deus, segundo a ordem de Melquisedeque.
A carta exalta a superioridade do cristianismo sobre o judaísmo (7:18-19).
O judaísmo é sombra do cristianismo (10:1).
A carta possui 13 capítulos e as palavras sangue, superior e melhor, ocorrem sem paralelo em qualquer outro livro do Novo Testamento. Cita sangue 22 vezes, superior 14 vezes e a palavra melhor 3 vezes. Daí ser uma carta diferente de todas as demais do Novo Testamento.

 

Pequeno Histórico da carta:

A carta aos Hebreus foi escrita por um judeu crente a uma igreja frequentada por judeus crentes, incrédulos e indoutos (simpatizantes do Evangelho) + João 6.64: "Tendo Deus outrora falado... aos pais... (nossos pais, judeus) nestes últimos dias nos falou..." (a nós, judeus Hb 1:1); "como escaparemos nós..." (judeus? Hb 2:3, 4).

 

Precisamos compreender mais coisas a respeito da salvação, vamos ver?


Ao ler a carta aos Hebreus, observe atentamente as palavras:
1. Nós;
2. Vós;
3. Eles;
4. Aqueles e
5. Naqueles.

 

O autor costuma se colocar como crente e ás vezes como judeu comum, no meio de uma igreja frequentada por judeus crentes, incrédulos e indoutos.

1. Paulo em Romanos 9:3 usa a Expressão "irmãos" quando se refere aos judeus.
2. Em Romanos 11:14 ele chama a nação judaica de "meu povo".
3. Daí a mesma forma de tratamento ocorre na carta aos Hebreus.

 

Vejamos alguns textos curiosos:


1. "Como escaparemos nós (judeus) se negligenciarmos tão grande salvação?" (o autor era salvo! Hb 2:3).
2. "Temamos, portanto, que, sendo-nos (judeus) deixada à promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que alguns de vós (judeus) tenhais falhado" (Hb 4:1).
3. "Nós (os crentes), porém, que cremos, entramos no descanso" (Hb 4:3).
4. "... resta entrarem alguns..." aqueles (judeus [Hb 4:4]).
5. "Esforcemos-nos..." (judeus incrédulos e indoutos [Hb 4:11]).
6. "É impossível, pois, que aquele... (judeus) Quanto a vós outros" (crentes [Hb 6:4-9]).
7. "Porque se vivermos" (judeus incrédulos, com dureza de coração [Hb 10:26]).
8. "Lembrai-vos..." (igreja - Hb 10:32).
9. "Possuímos (nós, judeus) um altar..." (Hb 13:10).

 

Seria bom meditarmos Hebreus 12:25-29 e sublinhar as palavras "aqueles, nós e nosso".

 


As advertências aos incrédulos e as exortações aos crentes vão se tornando mais fortes à medida que a carta se desdobra: "Rogo-vos ainda irmãos, que suporteis a presente palavra..." (Hb 13:22).

Sobre os incrédulos e indoutos, as advertências começam no início, em Hb 2:1-4, continuando em Hb 3:7-11, 15; 4:7; 6:4-6; 9:9-10; 10:4 e 26-30; 12:8-9.

 

As Advertências mais sérias:


Provavelmente estas advertências estão em Hebreus 6:4-6 e 10:26-30.
Nestas advertências nota-se o confronto entre os que creram e os que não creram, à semelhança de João 6:64. Nos capítulos 3 e 4, notamos uma advertência e um confronto repetitivo:
"Hoje, se ouvirdes a sua voz não endureçais os vossos corações....; assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso".

 

Nós ouvimos a palavra da salvação acompanhada pela fé; por isto, cremos e entramos no descanso. Eles, porém, ouviram a mesma palavra, entretanto não lhes aproveitou, porque não foi acompanhada pela fé (Hb 4:2 + Hb 11:6). Resultado: não creram e não entraram no descanso. Semelhantemente, na parábola do semeador, Lucas 8:1-18, a mesma semente (a palavra que ouviram) caiu em "terreno endurecido" e em "terra boa" (compare Hb 4:1, 2; 6:7,8). Estes textos todos estão sempre ligados á advertência de como recebem a palavra da salvação aqueles que a ouvem: "Vede, pois, como ouvis..." (Lc 8:18).

 

Uma explicação sobre salvação X simpatia.


Em Hebreus 6, o autor faz uma advertência aqueles judeus que ouviram a boa palavra de Deus (o Evangelho da salvação), compreenderam intelectualmente (foram iluminados pelo conhecimento) e assistiram as manifestações do Espírito Santo na igreja através dos dons, sim, se eles se afastarem e voltarem ao judaísmo (v.6), é impossível trazê-los para arrependimento e serem salvos. A base da salvação é o arrependimento. Sem arrependimento não há salvação. Eles haviam tido conhecimento das doutrinas elementares de Cristo, ou seja, as bases da doutrina do "arrependimento de obras mortas (Hb 6:1), e rejeitaram, não se arrependeram para serem salvos" (+ Hb 9:14). A obra do Espírito Santo é convencer o homem do pecado para que se arrependa e seja salvo (+ At 2:37-38). O versículo 6 no original grego, não é "e caíram", pois o verbo está na forma condicional e significa "se saírem fora", "se abandoarem", se voltarem (ao judaísmo), se escorregarem e caírem fora, etc. Na versão inglesa do King James, encontramos a expressão "If they shall fall way". O autor não está sugerindo que aqueles judeus eram crentes e perderam a salvação. Em lugar nenhum da Bíblia a palavra "caíram" significa "perda de salvação".

 


Na melhor hipótese, poderia ter o sentido do texto de Hebreus 4:11: "e caíram no mesmo exemplo de desobediência". Estas pessoas nunca foram salvas! No máximo eram indoutas. Judas acompanhou Jesus Cristo durante seu ministério terreno, assistiu as pregações, os ensinos e as curas feitas pelo Senhor, entretanto não se converteu; não se arrependeu de seus pecados. Andava na companhia de Jesus e os demais apóstolos e discípulos, entretanto era ladrão e roubava do Senhor (Jo 12:6). Judas, como esses judeus de Hebreus 6:4-6, participou da boa palavra, foi iluminado pelo conhecimento da divindade de Jesus, participou dos milagres e demonstrações do poder de Deus, entretanto não se arrependeu para ser salvo; rejeitou a salvação. O suicídio de Judas não foi um ato de arrependimento (como Pedro), mas o resultado da frustração de um plano mal sucedido, aliás, como toda pessoa que se suicida.

 

Observe o contraste destes judeus incrédulos de Hb 6:4-6 com os crentes de Hb 6:9-12: "Quanto a vós outros... (crentes) ainda que falamos desta maneira...", ou seja, ainda que falamos de modo a parecer que estas palavras sejam para vocês, "santos irmãos, que participais da vocação (chamada) celestial" (Hb 3:1).

 

Em Hebreus 9:29, o autor adverte aqueles que depois de terem recebido o pleno conhecimento da verdade (à semelhança de Hb 6:4-6, "depois de iluminados..."), rejeitaram a salvação através do sangue de Jesus. Desprezaram Jesus (calcou aos pés o Filho de Deus), negou que o sangue de Jesus é superior ao de qualquer animal (profanou o sangue da aliança) e pecou contra o Espírito Santo. Aqui é o único lugar da Bíblia que o Espírito Santo é chamado de "Espírito da graça". Da graça da salvação. Pecar contra o Espírito Santo é negar a manifestação de Deus em poder através dos crentes (Leia Mt 12:28, 31,32).

 

Alguns contrastes:


Vamos voltar para Hebreus 9:29. O autor cita um contraste tremendo, afirmando que "aquele" judeu havia profanado o sangue com o qual "foi santificado", dando a entender que o sangue foi derramado com esta finalidade, mas foi rejeitado; ou seja, Jesus derramou "seu próprio sangue para santificar o povo" (Hb 13: 12), entretanto nem todos se apossaram desta graça! "Ele é a propiciarão pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro" (1a Jo 2:2). Isto não significa que todo o mundo esta salvo! A obra foi consumada na cruz, porém somente será salvo aquele que crê (Jo 3:16; Ap 22: 14). Ou seja, Hebreus 10:29-31 não trata de algum crente que perdeu a salvação, mas retrata o terrível castigo daqueles que desprezou tão grande salvação! (Hb 2:3; + Lc 13: 24 – 30). "Horrível cousa é cair nas mãos do Deus vivo" (Hb 10:31 + Jo 3:36).

 

Em Hebreus 10:32 encontramos um outro contraste com Hb 6:4-6, onde os que "depois de iluminados" sustentaram grande luta e sofrimento pela perseverança em seguir o Senhor. "Não abandoneis, portanto, a vossa confiança, ela tem grande galardão... tendes necessidade de perseverança..." Leia e medite ainda: (Rm 5: 1-11; Lc 14: 25 – 35) estes textos falam da responsabilidade dos discípulos de Jesus.

 

Nosso alvo no uso a carta aos Hebreus:
Evidentemente o nosso propósito agora não é só fazermos um estudo sobre a carta aos Hebreus, mas usa-la como pano de fundo para exaltarmos a segurança de nossa salvação em Cristo Jesus nosso Senhor.

 

Para nossa informação, esta carta foi escrita por volta dos anos 60 d.C., portanto antes da invasão romana e destruição da cidade e do templo no ano 70.

 

Quando a carta foi escrita, o judaísmo estava em pleno vigor: tinham um templo, um altar, um sacerdote e sacrifícios de animais. Em contrapartida, os cristãos não tinham templo, não tinham altar, nem sacerdote e tão pouco sacrificavam animais (Hb 8:1-13).

 

Leia esta carta e presta bem a atenção no tempo presente dos verbos que atestam que na época em que a carta foi escrita o templo ainda estava de pé, como por exemplo: (Hb 7:a 5; 9:6-9, etc). A destruição da cidade de Jerusalém e do templo, foi anunciada por Jesus em Mateus 23:38 e 24:1, 2. Faz parte da profecia de Daniel:
"... e o povo de um príncipe que há de vir, destruirá a cidade e o santuário e o seu fim será num dilúvio..." (Dn 9:26). O "povo" é romano. Um "príncipe" foi Tito, ano 70 d.C., marechal romano e príncipe, pois era filho do imperador Vespasiano. A destruição da cidade realmente foi num dilúvio de sangue e sofrimento dos judeus.

 

Esperamos que esta introdução lhe faça desejos em estudar a salvação segundo a visão desta importantíssima carta.

 

(Continua na próxima aula)

 

Israel Sarlo

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