16. ago, 2014

HEBREUS - AULA 8

JESUS É SUMO-SACERDOTE PARA SEMPRE.


A SEGURANÇA DA SALVAÇÃO DE HEBREUS 6:13-20.

 

1. Jesus é Sumo-Sacerdote nomeado por Deus.
2. Jesus tornou-se Sumo-Sacerdote para sempre.
3. Jesus é Sumo-Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 5:10; 6:20).

 

Para entendermos o significado de "sacerdote para sempre", precisamos voltar a Hebreus 6 e estudarmos o texto mais longo do N.T., sobre a segurança da salvação.

 

A – Os textos em Hebreus que falam explicitamente sobre Salvação.


Hebreus 6 está dentro de um parênteses, que começa em 5:11 e termina em 6:20, pois o versículo 5:10 tem continuação em Hb 7:1.

 

Antes do autor abordar o tema que ocupa a parte central do livro ("possuímos um sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem...") Hb 8: 1-7 ele se sente constrangido com o estado de fraqueza espiritual dos leitores (Hb 5:11-14) para tratar do que significa ser Jesus o Sumo-Sacerdote para sempre. Por isso, entendemos que o capítulo 6 inicia com uma chamada ao crescimento espiritual, seguindo-se de uma advertência, uma exortação e uma exaltação; ou seja, podemos dividir o capítulo 6 em quatros partes.

 

B- As Quatros Divisões de Hebreus 6.


1. Uma chamada ao crescimento espiritual dos crentes: "deixemo-nos levar pelo que é perfeito,... isso faremos, se Deus permitir" (6:1-3).
2. Uma advertência aos indoutos (6:4-8).
3. Uma exaltação aos crentes (6:9-12).
4. Uma exortação à segurança da salvação (6:13-20).

 

C – A Eternidade do Sacerdócio de Jesus.


Falamos sobre a advertência aos indoutos. Agora, vamos tratar da exaltação à obra de Jesus como nosso Sumo-Sacerdote para sempre (6:13-20).


Este texto ressalta a imutabilidade do propósito de Deus quanto aos herdeiros da promessa, os quais somos nós: "Porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito: 'Por pai de muitas nações te constituí" (Rm5: 16-17; Gl 3:7-9, 13, 16, 22 e 29).


Para que não houvesse dúvidas sobre o propósito de Deus quanto à salvação pela fé no sangue de Jesus, o próprio Deus para mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade deste propósito, porque é impossível que Deus minta, ele não só fez a promessa como também jurou por si mesmo, visto não ter ninguém superior a quem jurar.

 

Agora, em Hebreus 6:18, o autor declara que por causa destas duas coisas imutáveis, promessa e juramento, devem ter "Forte alento (forte ânimo, coragem, esperança e entusiasmo), nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta".

 

Observe que o escritor diz que já corremos (passado), significado que nós, que cremos, entramos no refúgio, no descanso, já temos na mão a posse da esperança proposta. Ora, a posse da esperança proposta é a segurança da salvação em Cristo Jesus, a quem Deus propôs a redenção no seu sangue (Rm. 3: 25).

 

"Temos por âncora da alma, segura e firme, e que penetra além do véu..." (Hb. 6:19). O escritor afirma que nossa salvação, a esperança proposta, da qual lançamos mão pela posse. A expressão "âncora da alma" dá a entender firmeza consciente, segurança no conhecimento da certeza da salvação; firmeza no conhecimento profundo da obra redentora de Jesus Cristo. Assim como a âncora penetra nas profundezas do mar, essa nossa certeza da salvação penetra além do véu, dentro do Santo dos Santos, permanecendo imutável e segura como uma âncora que mantém o barco seguro e firme, independentemente das condições do mar na superfície.

 

"Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado Sumo-Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque" (Hb 6:20). O autor esclarece porque podemos guardar firme e segura a nossa certeza da salvação lá dentro do Santo dos Santos, como uma âncora segura e firme. Este texto nos garante serenidade e descanso.

 

Restam agora duas coisas a serem consideradas para nosso fortalecimento na segurança da salvação:
1ª "Já corremos para o refugo" (v.18) e
2ª "Jesus, Sumo-Sacerdote para sempre" (v.20).

 

Estas duas expressões nos trás à mente o estabelecimento, por Deus, das seis cidades de refúgio. Mas, o que eram as cidades de refúgio, para que serviam e quais seus privilégios? Para isto, devemos ler Números 35:9-34.

 

D – Cidades de Refúgio (Nm 35:9-34).


O entendimento deste texto vai lança mais luz sobre a certeza de nossa salvação em Cristo Jesus e esclarecer mais sobre Hebreus 6. Vamos, portanto, observar o texto de Números:

 

1. (V.11) – as cidades de refúgio eram para acolher o homicida que matasse alguém involuntariamente, para não haver derramamento de sangue inocente (cf. Dt. 19:20).
2. (V. 12) – as cidades eram para refúgio do vingador do sangue (geralmente um parente da vítima).
3. (V. 15) – as cidades eram para refúgio não só dos filhos de Israel, mas para qualquer estrangeiro (gentio) e para os que se hospedassem no meio deles, caso matassem alguém involuntariamente.
4. (Vs. 25-25) – o homicida era levado da cidade de refúgio para ser julgado pela congregação da cidade de origem. Se inocente, voltava à cidade de refúgio, que o havia acolhido, permanecendo ali até a morte do Sumo-Sacerdote, que foi ungido com o santo óleo.
5. (Vs. 26-28) – se o homicida resolvesse, por alguma razão qualquer, sair dos limites da sua cidade de refúgio e o vingador do sangue o encontrasse, então poderia ser morto e o vingador não seria culpado.
6. (V. 32) – não podia haver resgate (pagamento) pelo homicida para tirá-lo da cidade de refúgio para tornar a habitar na sua terra, antes da morte do Sumo-Sacerdote.

 

Lições que podemos tirar para a compreensão de Hebreus 6 sempre lembrando que "já corremos para o refúgio" e que Jesus é o nosso "Sumo-Sacerdote para sempre" (Hb 6:18-20).

 

Vamos a algumas considerações:

"Nós, porém, que cremos, entramos no descanso" (Hb 4:3).
"Nós (que cremos) já corremos para o refúgio" (Hb 6:18).

 

Note que "entramos" e "já corremos" estão no passado, quando convertemos. Posicionalmente estamos no descanso e no refúgio; ou seja, a cidade de refúgio é o descanso de Deus. Ali temos descanso e proteção.

 

"Aquele que habita no esconderijo do Altíssimoà sombra do Onipotente descansará. Direi ao Senhor? Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio" (Sl 91:1,2).

 

Como chegar ao esconderijo do Altíssimo, à casa do Pai? Jesus é o caminho (Jo 14:1-6) Sobre esconderijo, estamos escondidos, vejamos alguns textos: (Sl 37:2; 61:4; Is 4:6; Cl 3:3).

 

E – A aplicação de Números X Hebreus:


O homicida que matasse alguém involuntariamente era perseguido pelo vingador do sangue. A solução era correr para a cidade de refúgio a fim de ser salvo da morte.

 

Ora, nós, que cremos, já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta, a nossa salvação (Hb 6:18). O homicida também lançava mão da esperança de alcançar a cidade de refúgio para ser salvo do vingador do sangue. Isto significa que outrora, antes da conversão, estávamos debaixo da condenação, como o homicida involuntário.

 

Paulo em Efésios 2, afirma: "estávamos mortos em nossos delitos e pecados, nos quais andávamos outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar (o "vingador do sangue" ), do espírito que agora atua nos filhos da desobediência,... e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais".

 

Observe que a nossa natureza era a de "filhos da ira", porque éramos "filhos da desobediência", ou seja, filhos de Adão. Adão, por causa da desobediência, foi lançado para fora do descanso de Deus.

 

"E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Nós, porém, que cremos, entramos no descanso" (Hb 3:18; 4:3). Se crermos e entrarmos então a nossa natureza mudou de filhos de Adão para "filhos da obediência" gerados em Cristo Jesus (Hb 2:10-14).

 

"Outrora" éramos perseguidos como o homicida involuntário. Por causa de Adão, todos nascemos espiritualmente mortos, porém involuntariamente (Rm 5:12). Semelhantemente todos nascemos fisicamente, sendo gerados involuntariamente por nossos pais carnais. Ninguém pediu par vir ao mundo, porém viemos em obediência a um mandamento de Deus: "E Deus os abençoou e lhes disse: Sedes fecundos multipliquem-vos..." (Gn 1:28). Somos, portanto, o resultado de uma ordem: "Multiplicai-vos".

 

F – Homicidas Involuntários.


Sendo Deus responsável pelo nascimento de cada pessoa, por acaso lançaria ele todos os homens no inferno, sabendo que todos nós tornamos "homicidas involuntários" por causa de Adão? De maneira nenhuma faria isto com alguém, pois todos fomos gerados debaixo de sua benção e ordem: "os abençoou e lhes disse: multiplicai-vos".

 

O problema da queda de Adão foi posterior ao mandamento com benção. Por isso, se somos "homicidas involuntários", Deus preparou-nos uma cidade de refúgio, a fim de corrermos para lá e lançarmos mão da esperança proposta, a nossa salvação em Cristo Jesus. O propósito de Deus é voltarmos espiritualmente ao Éden, como descendentes de Adão e termos oportunidade de optarmos livremente por alimentar da árvore da vida (Jesus) ou da árvore da morte (Dt 30: 15-20). Existe somente um caminho para a cidade de refúgio, o descanso de Deus. Existe somente uma porta de entrada. Jesus é o Caminho e a Porta: "Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo" (Jo 10:9 + Ap 3:7). Uma proposta de amor: "se,... será".


O homicida permanecia na cidade de refúgio até a morte do Sumo-Sacerdote (Nm 35:24-25). Nós, porém, permaneceremos para sempre na cidade de refúgio, no descanso de Deus, pois Jesus Cristo ressuscitou e se tornou Sumo-Sacerdote para sempre, tendo sido nomeado por Deus segundo a ordem de Melquisedeque.

 

Se o homicida resolvesse sair da cidade do refúgio, corria o risco de poder ser morto pelo "vingador de sangue". (Nm 35:26-28). Portanto, se o homicida, depois de provar a vida da cidade, participar dos privilégios a sua disposição, resolvesse sair, abandoná-la, então Melquisedeque, tornando-se o Autor da salvação eterna para todos que lhe obedecem (Hb 5:5, 9-10; 6:20). Jesus é o eterno Sumo-Sacerdote da cidade de refúgio. Dali jamais sairemos porque Ele vive para sempre! (Ap 1:17,18): "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; já mais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu pai me deu é maior que tudo, e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" (Jo10:27-29). Seria impossível impedi-lo de ser morto pelo "Vingador de Sangue".

 

G – A Visão de Hebreus em Relação a Cidade de Refúgio.


Em Hebreus 6: 4-8, da mesma forma, se aqueles indoutos que freqüentaram a igreja, que participaram das manifestações do Espírito Santo e provaram a boa palavra de Deus, rejeitassem a salvação, abandonassem a proposta do Cristianismo para voltarem ao judaísmo, então era impossível de evitar que se retirassem e fossem mortos pelo "vingador de sangue", pois estariam desprezando a proposta de Deus, e expondo-o ao vitupério, como seu pais fizeram. Por isso, perto estavam da maldição (perto, pois quem sabe se arrependeriam ainda); e o seu fim é de serem queimados.

 

H – O Preço de Nosso Resgate


"Como escaparemos nós, se rejeitarmos tão grande salvação?" (Hb2:3).
Em Números 35:32, lemos que não da "eterna aliança" (Hb13:20). Não há possibilidade de nenhuma criatura tentar nos resgatar da cidade de refúgio, do descanso se podia haver resgate pelo homicida para tirá-lo da cidade de refúgio, para voltar a sua terra, antes da morte do Sumo-Sacerdote.

 

Fomos comprados por preço: "pelo sangue Deus", pois nossa redenção não tem retorno, não tem preço! "Não aceitareis resgate por aquele que se acolher á sua cidade de refúgio, para tornar a habitar na terra..." (Nm 35:32). Não há possibilidade de voltarmos ao Egito (mundo), o Mar Vermelho está fechado! Deus nos colocou na arca (Jesus) e Ele mesmo fechou a porta após entrarmos nela (Gn 7:16).

 

"Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8:37-39).

 

"Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora" (fora do refúgio, fora do descanso) (Jo 6:37).

 

I – Nas Cidades de Refúgio Todos Tem Acesso – É Para todos.


Em Números 35:15, as cidades de refúgio não estavam apenas à disposição dos judeus homicidas involuntários, mas, também, para os estrangeiros (gentios) e todos que hospedassem no meio deles, que eventualmente matassem alguém sem querer.


Isto aponta para a universalidade da obra da salvação em Cristo Jesus. Deus amou não somente aos judeus, mas "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo3: 16).

 

As cidades de refúgio, o descanso de Deus, estão à disposição de todo homem (Ef 2:11-22; Gl 3:26-29).

 

"Em ti serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados como o crente Abraão" (Gl 3:8, 9 + Ap 5:9, 10).

 

CONCLUSÃO:


Finalmente vemos em Números 35:24, 25, que o homicida deveria voltar à cidade de origem para ser julgado. Mas graças a Deus, nós que já corremos para o refúgio, não somos tirados para julgamento nenhum, pois, "agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus... Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará?" (Rm. 8:1, 2-39). "Respondeu-lhe Jesus: Em verdade digo que hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23:43). Lembre-se que paraíso significa jardim, descanso!

 

 

Israel Sarlo

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