Estudo bíblico

15. mar, 2015

Sempre que falo da Palavra de Deus procuro me deter no Evangelho. Quando uso ilustração busco primeiro no Velho Testamento e nos acontecimentos históricos da humanidade. É impossível entendermos o Velho sem o Novo Testamento e hoje, para pagar uma dívida a minha sobrinha, desejo falar um pouco sobre este tema fascinante: Liberdade e Escravidão. E para tal quero usar um texto de Paulo encontrado em Gálatas 4:21-31 na versão Bíblia Viva. Portanto, vou dá início hoje ao estudo do Velho Testamento e a Priscila, juntamente com o Gustavo, darão continuidade a este trabalho espetacular.

 

“Escutem-me vocês, que pensam que precisam obedecer às leis judaicas para serem salvos: Por que vocês não aprendem o verdadeiro significado dessas Leis? (v.21). Porque está escrito que Abraão teve dois filhos: um da mulher escrava e outra da mulher livre (v.22). Não houve nada de extraordinário quanto ao nascimento do bebê da mulher escrava. Mas o bebê da mulher livre só nasceu depois que Deus havia feito uma promessa especial de que ele viria” (v.23).

 

“Ora, esta história verdadeira é uma ilustração das duas maneiras de Deus ajudar o povo. Um modo foi dar-lhes suas leis, para que as obedecessem. Ele fez isso no Monte Sinai, quando entregou os Dez Mandamentos a Moisés. Aliás, o Monte Sinai é chamado ‘Monte Agar’ pelos árabes _ e, em minha ilustração, Agar, a mulher escrava de Abraão, representa Jerusalém, a cidade-mãe dos judeus, o centro daquele sistema de procurar agradar a Deus pela tentativa de obedecer aos mandamentos; e os judeus, que procuram seguir o sistema, são filhos escravos (vs.24-25). Mas a nossa cidade-mãe é a Jerusalém Celestial, e ela não é escrava das leis judaicas” (vs. 26).

 

“Foi isso que Isaías quis dizer quando profetizou: ‘Agora você, mulher sem filhos, pode se alegrar; você pode gritar de alegria, embora nunca tivesse tido um filho antes. Porque eu vou dar-lhe muitos filhos _ mais do que a mulher escrava tem’” (v. 27).

 

“Eu e vocês, caros irmãos, somos os filhos prometidos por Deus, tal como foi Isaque (v. 28). E assim nós, que somos nascidos do Espírito Santo, somos agora perseguidos por aqueles que desejam que guardemos as leis judaicas, tal como o Isaque, o filho da promessa, foi perseguido por Ismael, o filho da mulher escrava” (v. 29).

 

“Entretanto, as Escrituras contam que Deus disse a Abraão que mandasse embora a mulher escrava e seu filho, pois o filho da mulher escrava não poderia herdar a casa e as terras de Abraão juntamente com o filho da mulher livre (v30). Queridos irmãos, nós não somos filhos escravos, sujeitos às leis judaicas, mas filhos da mulher livre, aceitáveis a Deus por causa da nossa fé” (v.31).

 

Dizem que esta passagem é a considerada a mais difícil da Epístola aos Gálatas. De um lado, pressupõe um conhecimento do Antigo Testamento que poucas pessoas possuem nos dias de hoje; temos aí referências a Abrão, sara, Hagar, Ismael, isaque, Monte Sinai e Jerusalém. De outro lado, o argumento de Paulo é um tanto técnico; seria o tipo de argumento familiar nas escolas dos rabinos e judeus. É alegórico, embora não seja arbitrário.

 

Apesar disso, a mensagem desses versículos é atual e especialmente relevante às pessoas religiosas. De acordo com o v. 21, dirige-se àqueles que querem estar sob a lei. Existem muitas pessoas assim nos dias de hoje. Não são, naturalmente, os judeus ou os judaizantes, aos quais Paulo escreveu, mas pessoas cuja religião é legalista, que imaginam que o caminho a Deus é através da observância de certas regras. São até os professos cristãos que transformam o Evangelho em lei. Eles supõem que o seu relacionamento com Deus depende de uma obediência restrita a regulamentos, tradições e cerimônias. Estão escravizados por eles.

 

A essas pessoas Paulo diz: “... vós, os que quereis esta sob a lei; acaso não ouvis a lei?” (v.21). Com esses judaizantes ele usa um argumentum ad hominem. Isto é, vai ao encontro deles e os refuta em seu próprio terreno. Ele denuncia a incoerência, a falta de lógica de sua posição. “Vocês querem estar sob a lei?”, pergunta. “Então obedeçam à lei! Pois a própria lei, da qual vocês querem ser servos, será o juiz e os condenará”.

 

São três os estágios no argumento desse parágrafo: Histórico; alegórico e pessoal. Dos versículos 22-23 Paulo lembra a seus leitores que Abraão teve dois filhos: Ismael, filho de uma escrava, e Isaque, filho de uma mulher livre. Nos vs 24-27 ele argumenta que esses dois filhos e suas mães representam duas religiões: uma religião de servidão, que é o judaísmo, e uma religião de liberdade, que é o Cristianismo. Nos vs. 28-31 ele aplica a sua alegoria a nós. Se somos cristãos, não somos como Ismael (escravos), mas como Isaque (livres). Finalmente, ele nos mostra o que devemos esperar nos parecermos com Isaque.

 

 

O PRIMEIRO ESTÁGIO: Os Antecedentes Históricos (vs. 22-23).

O v. 22: “Pois está escrito que Abraão teve dois filhos”. Um dos motivos de maior orgulho dos judeus era serem descendentes de Abraão, o pai e fundador de sua raça. Depois de séculos de confusão após a queda do homem, foi a Abraão que finalmente Deus se revelou de maneira clara. Ele prometeu dar a Abraão a terra de Canaã e uma descendência tão numerosa quanto às estrelas do céu e a areia das praias. Por causa desta aliança divina com Abraão e seu descendentes, os judeus se consideravam seguros _ eterna e inviolavelmente seguros.

 

Por isso João Batista teve que dizer aos seus contemporâneos judeus: “E não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão” (Mt 3:9). Semelhantemente, quando Jesus disse aos judeus que, se permanecessem na palavra dele, seriam verdadeiramente seus discípulos e conheceriam a verdade que os libertaria, eles responderam: “Somos descentes de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: sereis livres?” Jesus lhes respondeu: “Se sois filhos de Abraão (isto é, tanto espiritual como fisicamente), “praticai as obras de Abraão”. Eles disseram: “...temos um pai que é Deus”. Jesus respondeu-lhes: “Se Deus fosse de fato vosso pai, certamente me havíeis de amar... Vós sois do diabo, que é vosso pai” (Jo 8: 31-44).

 

O apóstolo Paulo desenvolve aqui o que João Batista deu a entender e o que Jesus ensinou explicitamente. Os verdadeiros descendentes de Abrão não são físicos, mas espirituais. Os verdadeiros filhos não são aqueles que têm uma impecável genealogia judia, mas aqueles que crêem no que Abraão creu e obedecem como Abraão obedeceu. Este é o argumento de Gálatas 3, isto é, que a bênção prometida de Abraão não é dos judeus como tais, os descendentes de Abraão segundo a carne, mas dos crentes, quer judeu, quer gentio (cf. Gl 3:14). Além disso, “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão, e herdeiros da promessa” (Gl 3:29; cf. Rm 4:16). Não podemos declarar que somos descendentes de Abrão se não pertencemos a Cristo.

 

Esta dupla descendência de Abraão, a falsa e a verdadeira (sendo a falsa a literal e física, e a verdadeira, a figurativa e espiritual), Paulo apresenta ilustrada nos dois filhos de Abraão, Ismael e Isaque. Ambos tinham Abraão como pai, mas havia duas importantes diferenças entre eles:

 

1ª- Diferença: eles nasceram de mães diferentes (v.22): “Abraão teve dois filhos, uma da mulher escrava, e outra da livre”. Hagar, a mãe de Ismael, era mulher escrava, serva de Abraão. Sara, a mãe de Isaque, era mulher livre, esposa de Abraão. E cada um dos meninos saiu à mãe. Ismael nasceu na escravidão, mas Isaque nasceu livre.

 

 2ª- Diferença: eles nasceram de diferentes maneiras. Não, naturalmente, que o processo biológico da concepção e nascimento fosse diferente, mas que diferentes circunstâncias deram lugar ao seu nascimento (v.23). “O da escrava nasceu segundo a carne, (ou ‘de modo natural’, BLH), o da livre, mediante a promessa. Isaque nasceu segundo a natureza, mas, antes, contra a natureza. Seu pai tinha cem anos de idade e sua mãe, que fora estéril, tinha mais de noventa”. Hebreus 11:11 diz o seguinte: “Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe, não obstante o avançado da sua idade, pois teve fiel aquele que lhe havia feito a promessa”. Observe a palavra “promessa”. Ismael nasceu segundo a natureza, mas Isaque contra a natureza, sobrenaturalmente, por meio de uma promessa expressional de Deus.

 

Essas duas diferenças entre os filhos de Abraão, Ismael tendo nascido escravo segundo a natureza, enquanto Isaque nasceu livre segundo a promessa, Paulo considera como “alegórico”. Todos são escravos por natureza, até que no cumprimento da promessa de Deus sejam libertados. Portanto, todos são ismaéis ou isaques, quer sejam escravos por natureza, quer livres pela graça de Deus.

 

Em breve estudaremos os estágios: Alegoria e Pessoal.

 

Israel Sarlo

www.facebook.com/caminhoeavida

 

 

8. mar, 2015

“E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:14-15 (Revista Corrigida).

 

“E como Moisés, no deserto, levantou numa estaca uma serpente de bronze, assim também Eu devo ser levantado na cruz, para que todo aquele que crer em Mim, tenha a vida eterna”. João 3:14-15 (A Bíblia Viva).

 

“Assim como Moisés, no deserto, levantou a cobra de bronze numa estaca, assim também o Filho do Homem tem de ser levantado, para que todos os que crerem nele tenham a vida eterna”. João 3:14-15 (B.L.H).

 

É necessário estudarmos a importância que existe entre a Velha e a Nova Aliança. É de uma urgência enorme que as religiões dividam a verdade das tradições, o cristianismo do judaísmo, a Bíblia do Evangelho, isto é, que as religiões saibam dividir o Velho do Novo Testamento.

 

Qualquer tentativa que venha misturar verdade com tradição, cristianismo com o judaísmo, Bíblia com o Evangelho, o resultado será trágico e as conseqüências continuarão a existir iguais as que vemos todos os dias: igrejas cheias de pessoas infelizes e paises chamados cristãos massacrando paises de bandeiras diferentes.

 

É bom lembrarmos que no Antigo Pacto encontramos apenas sombras de uma verdade e que no Evangelho, anunciado por Cristo, o desfecho de toda a verdade de Deus.

 

Paulo fala disso de maneira clara: “Não estou envergonhado desta Boa Nova (Evangelho) de Cristo. Ela é o poderoso método divino de levar ao céu todos quantos crerem nela. Esta mensagem foi primeiramente pregada só aos judeus, porém agora todos são convidados a ir a Deus deste mesmo modo. Esta Boa Nova (Evangelho) nos diz que Deus nos prepara para o céu _ e nos faz justos aos olhos de Deus _ quando colocamos nossa fé e nossa confiança em Cristo como Salvador. Isto é realizado pela fé, do princípio ao fim. Tal como a Escritura afirma ‘O homem que encontra a vida, vai encontrá-la confiando em Deus’”. (Romanos 1: 16-17 B. V).

 

Paulo, de maneira clara diz neste texto que a Boa Nova, ou o Evangelho foi primeiramente pregado aos judeus, para ser mais preciso, ao pai do judaísmo, Abraão, veja só o que está escrito em Gálatas 3:8: “Antes que isso acontecesse, as Escrituras viram que Deus ia aceitar os não-judeus por meio da fé. Por isso, antes de chegar o tempo, elas anunciaram a Boa Notícia a Abraão dizendo...” (B. L. H).

 

“Ora, tendo a Escritura prevista que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o Evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti”. (Gl 3:8 R. C).

 

Fé, pelo que podemos perceber neste texto, não é qualquer libertação no físico ou na área social ou financeira. Também percebemos neste texto que a Boa Notícia ou Evangelho não chegou até aos judeus, embora ela tenha sido anunciada a Abraão, portanto o judaísmo não conheceu a fé que foi passada ao patriarca. Portanto a nossa herança, vinda dos jude