17. abr, 2015

OS CÉUS E A TERRA - Aula 80

O SEGUNDO CÉU

 

O firmamento e o espaço exterior são físicos. Todos os seus habitantes são compostos de materiais encontrados na tabela periódica, aqueles enormes quadros pendurados na sala de ciências da escola que os professores pedem que memorizemos. A terra e o primeiro céu compartilham desses elementos básicos. Embora o monte Kanchenjunga, o terceiro pico em altura da terra, e as luas de júpiter estejam muito distantes ambos são feitos da mesma matéria básica.

 

É isso o que separa o primeiro céu do segundo. Eles são feitos de matérias completamente diferentes. O segundo céu não é material ou tangível no sentido ou nos termos terrestres. Não é composto das mesmas substâncias que compõem a terra, o ar ou as coisas do espaço exterior. Os elementos do segundo céu são de natureza espiritual.

 

Todo estudante sabe que se um desenho precisa retratar a vida de maneira correta não pode ser feito em apenas duas dimensões. Artisticamente as duas primeiras dimensões – altura e largura – contêm muito do que pode ser visto na vida real, mas a profundidade é que dá a perspectiva. A vida não é bidimensional, mas tridimensional. Assim é com os céus. O céu físico (o primeiro) dá um aspecto plano. Ele mensura as coisas perpendicularmente em relação umas às outras. Altura e largura são capazes apenas de fornecer uma equação que calcule a área de um objeto, não seu volume. A profundidade é tudo aquilo que pode ser fisicamente percebido além da superfície. Este é o verdadeiro retrato do segundo céu.

 

O segundo é a dimensão espiritual e invisível da realidade.

 

O mundo dos espíritos, o reino do segundo céu, é exatamente igual ao mundo em que vivemos. Ele existe em um estado particular composto por elementos mais reais e mais extraordinários que nossos olhos podem ver. Tão certo como o céu é maior que a própria terra e tão certo como o espaço exterior é maior do que nossa atmosfera, assim a realidade, a magnitude e a importância do segundo céu suplantam seus equivalentes no primeiro céu e na terra.

 

Fica fácil de conceituar o segundo céu quando considero quão vazias e ocas são as coisas “sólidas”. A mesa na qual coloco minha xícara de café – e até a própria xícara – é, em sua maior parte, um espaço vazio. A verdadeira matéria de átomos que constituem a mesa e a xícara é apenas uma fração de seu tamanho. O rápido movimento das partículas atômicas faz a mesa e a xícara parecerem mais sólidas do que realmente o são.

 

Como vimos anteriormente, apesar de as pessoas viverem na terra, elas vivem parcialmente no primeiro céu, respirando substâncias da atmosfera. De modo semelhante, apesar de vivermos no mundo físico, também temos nosso ser colocado parcialmente no segundo céu. Quando criou a humanidade, Deus formou nosso corpo do pó da terra, mas soprou em nosso corpo físico o fôlego (espírito) da vida (Gn 2:7).

 

Vale destacar que existe diferença entre a alma e o espírito humano, mas para nossa discussão nesse momento basta destacar a questão óbvia de que nosso corpo não pode viver para sempre. A vida após a morte que todos nós queremos conhecer não pode envolver nossos corpos físicos. Deus criou nossos corpos para que vivêssemos no plano físico e fez nossas almas para habitar o plano mais elevado do segundo céu.

 

Um Pé em Cada Mundo: De acordo com Paulo, aqueles que crêem em Jesus Cristo foram “abençoados com bênçãos espirituais nas regiões celestiais, onde já estamos assentados com Cristo na presença de Deus” (Ef. 1:3; 2:6). Em Atos 17, em seu famoso discurso na Colina de Marte em Atenas, Paulo lembrou o povo que Deus, que fez o mundo e todas as coisas, já que ele é Senhor do céu e da terra, não habita em estruturas físicas de nossa dimensão. Ao contrário, nós é que vivemos nos movemos e existimos em uma dimensão superior à dimensão física (At. 17:28).

 

“Somos, na verdade, filhos de Deus convidados a compartilhar de sua natureza” (espiritual - 2ª Pd. 1:4)

“Sendo, pois, geração de Deus não deveu pensar que a divindade é semelhante ao outro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem”.  (At. 17:29)

 

Nós já temos a “natureza”, ou constituição, dos seres que habitam a dimensão espiritual. A morte separará essa “natureza” de nossa “natureza” física (corpos). O fato de sabermos que somos parcialmente habitantes do segundo céu faz que a transição para ele, depois da morte, seja algo menos assustador. É normal temer a morte do mesmo modo que temos medo de pensar por um lado escuro. Não sabemos o que está ali e receamos ao sermos capazes de ver nosso caminho. É semelhante há um dia com neblina em que não conseguimos enxergar dez passos a nossa frente. Você tem medo de entrar no nevoeiro até perceber e que já está nele.

 

Nós já somos seres espirituais e não precisamos temer esta transformação.

 

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Israel Sarlo

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