19. abr, 2015

OS CÉUS E A TERRA - Aula 81

Habitantes do Segundo Céu

 

O reino invisível dos espíritos está ao nosso redor. Tal qual o céu físico e a terra, o segundo céu tem suas hostes: uma miríade de anjos e outros seres que se encontram ao redor do trono de Deus (Iº Rs. 22:19), “nos lugares celestiais” (Ef. 6:12) e rodeando a terra (Jó 1:7). No segundo céu são encontradas tantas as legiões dos anjos de Deus quanto os espíritos do mal. O primeiro céu tem pássaros, planetas e constelações como as Três Marias, o Cruzeiro do Sul. Em cada um dos reinos dos cosmos, os “corpos” são feitos da matéria adequada. Assim é no segundo céu. As hostes ou exércitos são etéreas, mas semelhantes a um sopro do que a um osso, mais próximas da fragrância de um perfume do que do líquido no frasco.

 

Em 1955 dois alpinistas ingleses obtiveram permissão do governo no sikh para escalar o monte Kanchengunga, contanto que não subissem até o topo, para não perturbar os deuses. Não havia necessidade para tal precaução. Seres espirituais habitam o segundo céu: não estão ligados aos lugares planos da terra ou ao céu físico sobre a terra.

 

Os habitantes do segundo céu provavelmente não são tão semelhantes entre si do mesmo modo que os habitantes da terra e do primeiro céu. Marte não é parecido com Urano; nossa lua é muito diferente de uma nebulosa. As enormes baleias, que dormem na vertical, com o nariz voltado para baixo, alimentando-se de lulas nas profundezas do oceano, não são em nada parecidas com um beija-flor. Não há maneira de descrever as características de todos os seres espirituais mais precisamente do que tentar descrever as características de todas as cores.

 

Como são as “feras do campo?” Como poderíamos descrever fenômenos no espaço? O que os buracos negros, as estrelas anãs e os asteróides têm em comum, senão o céu que habitam? O que dizer dos habitantes do mar – lulas gigantes, plâncton e caranguejos ermitões – a não ser que eles compartilham das mesmas substâncias de seu reino no cosmos? Do mesmo modo, os seres do segundo céu não são corpos terrestres colocados no espaço e nem são iguais uns aos outros. Diferentes tipos de criaturas habitam as profundezas e diferentes tipos de seres habitam o segundo céu.

 

Anjos: A Bíblia dá uma lista bem grande de habitantes da dimensão espiritual do cosmos, mas há muito pouca descrição de itens em particular. O propósito deste estudo não é detalhar as forças e entidades do mundo espiritual, nem seria sábio especular sobre sua constituição, pois as Escrituras não entram neste tipo de detalhe. No entanto, uma pequena lista dos diferentes tipos de seres que habitam o segundo céu será bastante proveitosa.

 

Daquilo que podemos depreender da Bíblia, o segundo céu é povoado principalmente por anjos. Muito embora tenha sido dada muita atenção aos anjos nos últimos tempos, além de atribuir a eles, de maneira duvidosa, certas ações, muito pouco se sabe sobre eles. São espíritos ministradores cuja presença interfere em nossa dimensão do cosmos do mesmo modo que uma chama ou um vento afeta outras coisas (Hb. 1:7). Apesar de serem fisicamente intangíveis em nosso mundo, eles podem afetar nossas vidas e nosso mundo.

 

Anjos são representantes de Deus que trazem revelação e interpretação de visões espirituais, assim como mensagens, do mundo espiritual para as pessoas. É por isso que os chamamos de anjos (da palavra grega angelos, cujo significado é “mensageiro”). Eles podem chamar as pessoas estando no segundo céu (Gn. 22:11). Em algumas situações eles aparecem às pessoas em sonhos, como aconteceu com Jacó (Gn. 31:11), ou como o anjo que avisou José para ir para o Egito para proteger o menino Jesus (Mt. 2:13). Quando se tornam visíveis em nossa dimensão, os anjos o fazem repentinamente.

 

Um anjo, por exemplo, apareceu “de repente”, conforme algumas versões, aos pastores do campo para anunciar-lhes o nascimento de Jesus (Lc. 2:9). Anjos aparecem como que do nada. É por isso que eles não vêm de algum outro lugar da terra. Eles vêm de outro lugar acima dela. Quando veio contar a Maria o plano de Deus para sua vida (Lc. 1:28), o anjo Gabriel não entrou pela porta ou pela janela: ele veio de uma dimensão externa a este mundo.

 

Os anjos cantaram e rejubilaram quando os mundos foram criados (Jó 38:7). A Bíblia menciona vários tipos de anjos, dos querubins que impediam o acesso à árvore da vida (Gn. 3:24) e que pareciam tanto humanos quanto animais na visão de Ezequiel (Ez. 1) aos serafins que tinham três pares de asas (Is. 6:2). Há um anjo destruidor que tirou a vida dos primogênitos do Egito (Ex. 12:23) e um que derrotou Israel porque Davi se ufanou em dizer que sua força estava no número de homens e não no Senhor (II° Sm.24:15-17). Às vezes os anjos podem mover objetos físicos na terra. Um anjo que “desceu do céu” removeu a pedra que fechava a entrada do sepulcro de Jesus (Mt. 28:2); outro anjo abriu os portões da prisão onde estavam os discípulos na cidade de Jerusalém (At. 5:19; 12:3-11).

 

O Trabalho dos Anjos:  Nem tudo o que ouvimos sobre anjos – de livros a filmes – é verdadeiro. O conceito culturalmente popular do anjo da guarda é um bom exemplo de como as pessoas aceitam facilmente uma “verdade” sobre o céu que não corresponde àquilo que é descrito na Bíblia. Apesar de haver muitos livros sobre os anjos da guarda e um grande interesse neles, a noção de anjo da guarda vem de um único e obscuro versículo da Bíblia que registra as palavras de Jesus: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste”. (Mt. 18:10).

 

O contexto deste versículo é que Jesus está respondendo a uma pergunta de seus discípulos sobre quem seria o maior no reino dos céus. Ele diz que aqueles que se humilharem e se tornarem como uma criança terá lugar significativo no reino. Jesus está pedindo que eles removam todo o orgulho de suas vidas que possa fazê-los desprezar as crianças, considerando-as espiritualmente insignificantes. Eles não percebem que as coisas na dimensão espiritual funcionam diferentemente das da terra.

 

A idade e a posição social determinam o status entre as pessoas na terra, mas nas regiões celestes não é assim. Fé como de uma criança e confiança são muito melhores do que a competitividade e o orgulho dos “mais velhos”. Assim como Jesus ensinou a seus discípulos que a grandeza espiritual vem através da servidão (Mt. 23:11), ele explica que a simplicidade e a humildade levarão à verdadeira importância no reino de Deus (1ª Co. 1:26:31). A questão principal das palavras de Jesus é que as crianças não deveriam ser desprezadas e consideradas sem importância no mundo espiritual de funcionamento das coisas. Seus anjos têm tanto acesso a Deus quanto os de qualquer adulto!

 

Quer as pessoas “tenham seus próprios anjos” que recebam tarefas especiais de Deus para protegê-las (do mesmo modo que Deus deu ordem aos anjos sobre o MESSIAS – ver Salmo 91:11; Mateus 4:6) ou não, o que eles fazem exatamente não está descrito claramente na Bíblia. Não se diz nada mais sobre os anjos guardiões. Normalmente a Bíblia refere-se aos anjos como “espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação” (Hb. 1:14), mas isso não necessariamente significa serviço pessoal e exclusivo ou orientação divina para pessoas que não têm relacionamento com Deus, isto é, com os demais membros do corpo de Cristo – Igreja. Os anjos ministradores agem no conjunto, nos membros ligados através da comunhão, intuição e consciência.

 

O termo “guardião” ou “protetor”, na verdade, não é encontrado na Bíblia com referência aos anjos. Um dos poucos usos do termo refere-se a Lúcifer, cujo nome foi mudado para Satanás quando caiu em desgraça na presença de Deus por causa de sua rebelião.

 

“Eu fiz de você um anjo protetor, com as asas abertas. Você vivia no meu santo monte e andava pelo meio de pedras brilhantes. A sua conduta foi perfeita desde o dia em que foi criado, até que você começou a fazer o mal. Você ficou ocupado, comprando e vendendo, e isso o levou à violência e ao pecado. Por isso, anjo protetor, eu o humilhei e expulsei do monte de Deus, do meio das pedras brilhantes. Você ficou orgulhoso por causa de sua beleza, e a sua fama o fez perder o juízo. Então eu o joguei no chão a fim de servir de aviso para outros reis”.  (Ez. 28:14-17, BLH).

 

Somos orientados a não permitir que as visões de outras pessoas ou “cultos dos anjos” nos afastem de Cristo (Cl. 2:18). Na verdade os mensageiros de Satanás podem disfarçar-se de anjos “bons”, “porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz” (2ª Co. 11:14). Muitas das histórias e ensinamentos sobre supostos anjos da guarda estão em oposição direta ao ensinamento da Bíblia. Pelo fato de Deus ser incapaz de se contradizer, devemos concluir que qualquer ser espiritual que traga qualquer ensinamento diferente daquela que se encontra na Bíblia não pode ser de Deus. Paulo coloca as coisas da seguinte maneira: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”.  (Gl. 1:8)

 

Outro uso de “guarda” ou “protetor” em referência a alguma pessoa trata de Jesus, chamado de “Pastor e Guarda” de nossas almas (1ª Pd. 2:25, BLH). Ele é o único que pagou o preço para nos perdoar e nos redimir do poder da morte. Ele nos preserva e protege, pois “abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At. 4:12). Como Pedro disse sobre Jesus: “Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados”.  (At. 5:31)

 

Jesus é um guardião muito melhor que qualquer outro anjo possa ser. “Todos os anjos de Deus o adorem” (Hb 1:4-6).

 

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Israel Sarlo

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