31. ago, 2015

ESTUDO SOBRE REINO (8ª Parte) - Aula 96

Pode até parecer “rebeldia” quando abordamos sobre a maneira como a NOVA ALIANÇA encara a questão do DÍZIMO. A nossa posição, talvez, não seja a posição bíblica no que diz respeito aos seus costumes, no entanto estamos de acordo com o EVANGELHO que está na Bíblia como o centro de Deus.

 

Vamos tratar, nesta lição, do DÍZIMO segundo a VELHA ALIANÇA, já que você, caro aluno(a), já entendeu estas diferenças nas ALIANÇAS ou nos dois TESTAMENTOS como explicado nas aulas anteriores. Vamos trabalhar com Malaquias de maneira clara e objetiva, pois, é necessário que a IGREJA VISÍVEL entenda que a moeda corrente nela é a moeda do REINO TRANSITÓRIO, por isto o que é de César a ele é dado, mas em contra partida o que pertence ao Senhor, no REINO ETERNO, também teremos que repor.

 

Como já explicamos, Jesus veio como homem para ganhar o homem. Se ele viesse em corpo espiritual não seria entendido. Assim é o REINO TRANSITÓRIO, não podemos trabalhar com ele com a moeda do REINO ETERNO, eles não entenderiam. Notem que a própria Palavra de Deus está escrita em linguagem humana e que sendo em linguagem humana necessita da moeda humana para utiliza-la e depois de mudadas as pessoas, entendam o que está escrito em seus corações através da mudança que a IGREJA VISÍVEL fará nelas. Notem também que necessitamos ensinar a Palavra escrita em lugares também humanos para que as pessoas aprovadas sejam transferidas para a IGREJA INVISÍVEL que não mais dependerão de dependências para aprenderem, mas sim para ensinarem.

 

DÍZIMO SEGUNDO DEUTERONÔMIO: (Gn. 14:22).

“Pagar o dízimo de todo o ganho de tuas sementes, que sai do campo após anos”.

 

Antes de falarmos sobre este texto é bom notarmos que os versículos anteriores falam dos animais que deveríamos comer ou não. O DÍZIMO está incluído nesta lista de proibições.

 

PAGAR O DÍZIMO: É um imposto pago pelo camponês sobre o produto de sua terra, e pelo pastor sobre seu rebanho. Ele era destinado ao senhor, ao Adôn, isto no contexto do versículo, ao próprio Adonai, e noutras circunstâncias, ao rei (Iº Sm. 8:15-17). Essa instituição era difundida na antigüidade bem antes da época bíblica. Ia’cob prometeu, após o sonho da escada em Béit-Ètel (Betel) (notem: Jacó e não Israel. Não o que luta com Deus, mas o enganador): “De tudo o que me deres, pagarei o DÍZIMO a ti” (Gn. 28:22). Os DÍZIMOS dos camponeses e dos pastores eram distribuídos aos sacerdotes ministrantes por intermédio dos levitas. Nove décimo ficavam com os próprios levitas, o DÍZIMO dos DÍZIMOS com os kohanîms, os sacerdotes ministrantes. A cada três anos, o DÍZIMO era dado aos pobres, diretamente os levitas deviam então reparti-los com os pobres em todos os lugares.

 

MALAQUIAS TRÊS E AS ORDENANÇAS SOBRE DÍZIMOS E OFERTAS: Quando nos deparamos com a “doutrina” do DÍZIMO na IGREJA de CRISTO, a primeira coisa a questionar é se era ou não uma ordenança religiosa judaica. Se for, precisamos então reformular o ensino para que os cristãos possam conhecer o verdadeiro caminho das contribuições e suas finalidades.

 

Em Malaquias 3:6-12 encontramos declarado que os DÍZIMOS e ofertas faziam parte dos estatutos ou ordenanças, (v.7,8).  Se for uma ordenança, então o DÍZIMO, como vemos hoje, obrigatório, periódico e proporcional. Não pode ser usado como doutrina cristã, pois Jesus “aboliu na sua carne a lei dos mandamentos na forma de ordenanças” (Éf. 2:15).

 

Se formos cristãos versados no REINO de Deus, então não podemos tirar coisas velhas do tesouro para aplica-las como se fossem novas. Aliás, não tiramos da justificada velharia, ele não as tem.  Assim como não devemos obrigar o pagamento dos DÍZIMOS, assim também não podiam igualmente obrigar os discípulos de Jesus a jejuarem semanalmente como ordenança judaica (Mt. 9: 14-17). Precisamos de vinho novo em odres novos para conservarem juntos. Precisamos da doutrina nova sobre contribuições com base na NOVA ALIANÇA, pois somente assim poderemos ofertar com alegria, pois Deus ama quem dá com alegria (2ª Co. 8:7 + 1ª Co. 16: 1-4).

 

Quando os cristãos de Corinto estavam recolhendo suas ofertas para enviar aos irmãos necessitados de Jerusalém, Paulo usou uma expressão que nos trás entendimento a respeito das ofertas. Assim, em 2ª Co. 8:8, Paulo diz: “Não vos falo na forma de mandamento (obrigação), mas para provar... a sinceridade do vosso amor”.

 

Voltando a Malaquias 3 a insistência em se transformar este texto para usa-lo como base para estabelecimento de doutrina neotestamentária, apresenta várias dificuldades. No v. 8. a palavra “roubar” não é a tradução correta do hebraico. Evidentemente ninguém rouba de Deus e nem é possível faze-lo (Sl. 24:1), Aliás, o versículo inicia com uma pergunta cuja resposta é obvia: “Roubará o homem a Deus?” É claro que não! O problema é entendermos a palavra hebraica correta e por que motivo aparece traduzida por “roubar”.

 

A palavra “enganar” foi substituída por “roubar” na tradução da Bíblia do hebraico para o grego, a Septuaginta, com a finalidade de evitar uma alusão a Jacó (Ia-agôg) que significa “enganador”, cuja raiz do nome é a mesma de enganar. Assim, os versículos 8-9 de Malaquias 3 seriam mais bem compreendidos conforme a tradução da Bíblia de Jerusalém: “Pode um homem enganar a Deus? Pois vós enganais! _ E dizeis: Em que te enganamos? Em relação aos DÍZIMOS e OFERTAS...”

 

Outra dificuldade é aceitar que todo aquele que hoje não entrega o DÍZIMO, está sob maldição, com base no v. 9. (Prestem bem a atenção: é verdade que existem maldições no VT e que é perigoso estarmos numa igreja que prestam honras a homens e cultos, com aparência de divindade, no entanto o seu conteudo é pagão. Infelizmente os evangélicos só conseguem ver maldições nas quebras das ordenanças como já vimos em Èfesios 2:15, ordenanças abolidas por Jesus. Isto não é possível aplicar aos cristãos. Aqui, a maldição refere-se ao judeu que ao cumprir toda as ordenanças, ou mais especificamente no caso dos DÍZIMOS). A idéia de maldição é com respeito ao não cumprimento da lei.

 

Paulo em (Gl. 3:10-14), ensina que o Senhor Jesus Cristo “nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele mesmo maldição em nosso lugar”. Ou seja, era impossível que a bênção de Abraão prometida a todas as famílias da terra (Gn. 12:3) chegasse até nós, os gentios, pelo cumprimento de ordenanças judaicas.

 

A expressão “maldição da lei” não significa que a lei é maldita, porém o não cumprimento da lei é que redunda em maldição sobre o transgressor. A lei é boa, santa e justa (Rm. 7:12).  A justificação pela lei é impossível, porque a lei somente traz a maldição sobre aqueles que a desobedecem. Por outro lado, na VELHA ALIANÇA, os que cumpriram a lei hão de ser justificados (Rm. 2:12, 13, 16; Mt. 19:17-19). Como somente Cristo cumpriu a lei só seremos justificados nele.

 

Todos os homens desobedeceram a Deus e por isto mesmo éramos filhos da ira, filhos da desobediência por natureza (filhos de Adão Rm. 3:23; 5:12, 18; Èf. 2:1-10; João 3:36).  Jesus, vivendo sob a lei cumpriu toda a lei porque não pecou (1ª João 3:4, 5) para que pudesse resgatar todos que estavam debaixo da maldição do não cumprimento da lei ( + Gl. 4:4,5). A maldição da lei não tem força legal sobre o crente. (Por exemplo, a maldição do Ex. 20: 5,6; 1ª João 3:5) pode ser quebrada hoje, na vida do cristão, pela obra da cruz.

 

Na cruz, ele, que não era maldito, se fez maldição em nosso lugar assim como não sendo pecador se fez pecador por nós, por resgate para nós, nele, fossemos feitos justiça de Deus (2ª Co. 5:21: 1ª João 3:5). “Fossemos feitos...”, significa declarado justo e não transformados em justos __ justificados perante Deus pela fé, sem lei, “... pois já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm. 3:21-28; 8:1). Portanto, pelo cumprimento da lei nós (gentios) não teríamos acesso às bênçãos de Dt. 28:1-13).

 

Jesus quebrou a parede religiosa que nos impedia de chegar a Deus. Pela cruz nós fomos perfeitamente reconciliados com Deus (Éf. 2: 14,15). “Todos quantos, pois, são das obras da lei, estão debaixo de maldições; porque está escrito: Maldito todo aquele que ao permanece em todas as coisas escritas no livro da lei, para pratica-las” (Ainda Gl. 4:4, 5; Tg. 2:10,11).

 

Afirmar que o crente que não entrega o DÍZIMO está debaixo da maldição, é o mesmo que dizer que confessar que estão ainda no VELHO PACTO, não aceitando a cruz e afirmando que também é transgressor por não cumprirem o restante das ordenanças como circuncisão, holocaustos, direitos a várias mulheres etc., e também significa tirar coisas velhas do tesouro, ou tentar colocar o vinho novo dentro de ordenanças judaicas, odres velhos. A perda do conhecimento e suas conseqüências serão inevitáveis na vida dos que aceitam tal administração.

 

O problema não é de maldição, mas perder a bênção da prosperidade da graça de poder contribuir na assistência aos santos, como expressão de generosidade e não de avareza, pois o que semeia com fartura, colherá com abundância (2ª Co. 8: 3,4; 9:5,6,10).

 

Em Ml. 3:10, a “casa do tesouro” não é a igreja hoje, eram as câmaras ou depósitos onde se guardavam objetos valiosos e/ou alimentos recebidos sob a forma de imposto ou DÍZIMO e ofertas voluntárias. Poderia estar ligada ao templo, ou pertencer a um rei (Iº Rs. 7:51; IIº Rs. 12:18).  O objetivo era não faltar mantimento, comida para os levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas em Israel, a casa de Deus, (Dt. 26:12, 13; Hb. 3:5). Isto acontece hoje com as igrejas DIZIMISTAS?

 

Daí a necessidade de “Câmaras da casa do tesouro”, “Câmara da CASA do nosso Deus” veja Ne. 10:27-39; 13:4.  Sobre “depósito” preparados para recolherem ofertas e DÍZIMOS, leia IIº Cr. 31:10-19. Ne. 12:44; 13:12. Sobre lugar destes depósitos ou casas do tesouro, leia Dt. 14:20-29.

 

É possível tirar coisas novas do texto de Malaquias? Claro, pois toda Escritura é apta para o ensino, porém não esqueçamos que DÍZIMOS são ordenanças judaicas abolidas na cruz; estas são coisas velhas que devem permanecer no tesouro.

 

Podemos aprender, por exemplo, que na IGREJA do Senhor Jesus as ofertas oferecidas voluntariamente devem suprir as necessidades dos santos, para que não haja “falta de mantimentos” físico e espiritual, na casa de Deus (Mt. 4:4; Hb. 3:6; João14: 23; At. 4:32-34). Se fizermos isto, provaremos a fidelidade de Deus: “provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu (da verdadeira ‘casa do Tesouro’), e não derramar sobre vós bênção sem medidas” (Ml. 3:10). Esta é a lei bíblica de dar, a lei da semeadura e da colheita. É o dar sem constrangimento ou por necessidade, mas com alegria (2ª Co. 9: 6,7). Isto é tirar coisas novas do tesouro. Isto é vinho novo. Isto é o que o Senhor ensinou em Lc. 6:38. Isto significa que nosso trabalho será abençoado por Deus. Ele mesmo repreenderá toda oposição para que não destrua o fruto do nosso trabalho. Isto é bênção em prosperidade e saúde (Ml. 3:11).

 

A IGREJA será conhecida como um povo feliz, onde ninguém passa necessidade (Ml. 3:12 + 2ª Co. 9:8-15; Rm. 12:8; contribuições __Dom). É preferível ensinar à igreja lançar mão de coisas novas do que oprimir nossos irmãos com coisas velhas (At.15:1, 19, 28, 30).  Se exigirmos o DÍZIMO, estaremos obrigados a guardar toda lei, inclusive a circuncisão dos crentes, anulando a obra da cruz, pois Cristo de nada nos aproveitará (Gl. 2:14; 5: 1-4; Rm. 3:26).

 

Se continuar na observância da VELHA ALIANÇA, tenho que obedecer a circuncisão e o selo que deverei carregar não é o de Cristo, mas sim de Moisés. Mas se estou na NOVA ALIANÇA, a circuncisão não será mais na carne, mas no coração, no espírito; carregarei assim o sinal na minha alma e o Espírito Santo em mim estará separado para as coisas do REINO ETERNO. Meu espírito será selado como garantia da NOVA ALIANÇA em Cristo, sinal de que somos sua propriedade guardada para a vinda do Senhor para o dia de nossa REDENÇÃO (Rm. 4:11 com Éf. 1:13-14).

 

O fim da lei (sob forma de ordenanças) é Cristo, que morreu e ressuscitou pra a justificação de todo aquele que crê (Rm. 10:2-4; Gl. 3:24, 25 + João 1:17). “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, porque, como vivêsseis no mundo, vos sujeitai-vos, as ordenanças superiores, (cristianismo) pela qual nos chegamos a Deus”. (Cl. 2:20-23; Gl. 1:10). “Pois quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança da lei; portanto por um lado, se revoga a anterior ordenança (judaísmo) por causa de sua fraqueza e inutilidade e, por outro lado, se introduz esperança superior (cristianismo) pela qual nos chegamos a Deus” (Hb. 7: 11-19).

 

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Israel Sarlo

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