6. set, 2015

ESTUDO SOBRE REINO (10ª Parte) - Aula 98

Em continuação da matéria anterior, vamos entrar um pouco na história religiosa dos hebreus.

 

COSTUMES RELIGIOSOS NAS IGREJAS EVANGÉLICAS:

Porque se exige o pagamento obrigatório do DÍZIMO em tantas igrejas evangélicas? Jesus não cravou na cruz toda forma de ordenanças? (Cl. 1: 14). Já que não existe base bíblica neotestamentária para adoção do DÍZIMO entre os cristãos, então devemos buscar as provas na HISTÓRIA da IGREJA CRISTÃ. De fato, durante todo o período apostólico, quando foram escritos os livros do Novo Testamento, até por volta do ano 100, não existe nenhum relato bíblico sobre a prática do DÍZIMO dentro das IGREJAS CRISTÃS.

 

IGREJA CATÓLICA – IMPERADOR CARLOS MAGNO:

A partir do ano 313, a “igreja” se desviou da BÍBLIA, associou ao Império Romano, dando origem à IGREJA CATÓLICA ROMANA, através da qual foram introduzidas todas as heresias como vemos hoje.

 

No ano 724, o Imperador Carlos Magno, rei dos Francos, instituiu o “DÍZIMO ECLESIÁSTICO” obrigatório dentro da IGREJA CATÓLICA ROMANA e que vigorou até 1789. Além do “DÍZIMO ECLESIÁSTICO” exigiu o “DÍZIMO SENHORIL”, que era pago à nobreza.  Carlos Magno foi coroado rei do ocidente no ano 800 pelo papa Leão III (tentativa papal de fortalecer sua autoridade mundial pela restauração do extinto Império Romano). Os DÍZIMOS correspondiam à décima parte de um imposto calculado sobre as rendas e pago ao clero e á nobreza sob forma de gêneros alimentícios.

 

O quinto mandamento da Igreja Romana era “pagar DÍZIMOS e primícias” (Dicionário Enciclopédico Lello universal Vol. 2, pg. 770; Vol. 1, pg. 472). No período do reinado de Carlos Magno, por volta do século VI, observa-se a origem do sistema paroquial na França, onde o fortalecimento da igreja Estatal se deu mediante a plena autorização legal para a cobrança de DÍZIMOS. Baseado no exemplo do Velho Testamento, há muito tempo, o clero manifestava-se favorável ao costume, que veio a ser imposto por um sínodo franco reunido em Macon, em 585. Desta maneira, é tirada uma das tantas maldições bíblica, abolida por Jesus na cruz, e reemplantada nas Igrejas Evangélicas. Assim como o sábado, instituído por Ellen G. Whit. Pepino, pai de Carlos Magno (só poderia ser um pepino mesmo) considerou o DÍZIMO como uma taxa legal. Os DÍZIMOS seriam cobrados pelos bispos e ministros encarregados de cada paróquia e seriam usados em benefícios destes. Graças a constantes doações de terras, as propriedades da Igreja haviam crescido a ponto de ocuparem um terço da área da França... Cabia ao próprio Carlos Magno designar os bispos para as SÉS do reino (História da Igreja Crista, W. Walker, vol. 1, pg. 271, 273).

 

COMO FOI INTRODUZIDO O DÍZIMO NAS IGREJAS EVANGÉLICAS:

Agora podemos entender como a obrigatoriedade do DÍZIMO entrou nas IGREJAS EVANGÉLICAS.  Os “DÍZIMOS ECLESIÁSTICOS” impostos em 585, vigoraram até 1789 na Igreja Romana.

 

A Reforma protestante se deu em 1517, dentro ainda do período de vigência da obrigatoriedade do “DÍZIMO ECLESIÁSTICO”. Apesar do objetivo protestante se votar à BÍBLIA, entretanto esta prática que a Igreja Apostólica jamais teria aprovado, com base na obra redentora da cruz, entrou no meio evangélico via reforma, como uma herança do Catolicismo.

 

O DÍZIMO, nas IGREJAS EVANGÉLICAS, tem, portanto, sua origem não no N.T., mas na reforma protestante de 1517. É interessante notar que a Igreja Católica aboliu o DÍZIMO em 1789 e, por tradição da Igreja Primitiva, reconheceu o erro, voltou á origem e não exige DÍZIMOS dos seus fiéis, (agora, parece que estão voltando a esta prática novamente por influência dos evangélicos, influenciados no passado por eles).

 

DÍZIMOS & OFERTAS:

Outro erro doutrinário comum no meio evangélico é ensinar a igualdade entre DÍZIMOS e OFERTAS. Ensinam que os DÍZIMOS são obrigatórios, e as OFERTAS voluntárias, no entanto tendo a mesma intenção: a de negócio entre o homem e Deus. Esta parceria, homem e Deus são bem interessantes na visão do REINO PERENE: negócios somente no lucro. Jesus comprou na cruz o direito do homem com sofrimento e o homem desfruta os prazeres terrenos sem o sacrifício do CULTO RACIONAL, já que o de Jesus foi ANIMAL. Toda OFERTA do V.T. partia da irracionalidade, tanto a OFERTA como o ofertante agia irracionalmente. A OFERTA no N.T. é, segundo Paulo em Rm. 12:1-2: viva, santa, agradável e racional. De onde saiu tal distinção neotestamentária, a não ser da mente de homens religiosos? Não estariam tentando colocar vinho novo em odres velhos? Não estariam tentando remendar roupa velha com remendo novo? Seria o cristianismo uma seita judaico-cristã? Todo discípulo que ultrapassa seu mestre torna-se cego (espiritual), vem como aqueles que o seguem (Mt. 15:14; Lc. 6:39-49).

 

Você sabia que Abrão não foi dizimista e que não deu a décima parte dos espólios de guerra a Melquizedeque por obrigação? Abraão viveu 430 anos antes da lei. Abraão deu sua OFERTA de maneira voluntária, conforme resolveu em seu coração. Sendo DÍZIMO obrigatório, regular (periódico) e proporcional ao ganho (10%), isto não aplica a Abraão. A BÍBLIA relata que Abraão deu DÍZIMO uma vez só. Entre Abraão e Deus nunca houve sumo-sacerdote (a não ser Melquizedeque, figura de Cristo), nem tão pouco um sistema religioso organizado que somente apareceu após a saída de Israel do Egito – Livros de Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômios. Na época de Abraão era comum, entre os pagãos, oferecer a décima parte dos espólios de guerra a seus deuses. É bom atentar para este caso e ver que Melquizedeque, como já falamos não aceitou os despojos e sim pessoas (Gn. 14).

 

Em Hebreus 13: 15,16 vemos que o v. 16 exorta-nos a não somente oferecermos sacrifícios espirituais de louvor, mas, que também, não devemos esquecer do compromisso com a assistência aos santos através da prática do bem e da mútua cooperação, consideradas também como sacrifícios agradáveis a Deus.

 

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Israel Sarlo

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