16. out, 2015

ECONOMIA DE DEUS

Li um livro que trata deste assunto com maestria. Confesso que fiquei impressionado com a maneira clara do expositor. É claro que temos algumas divergências teológicas, no entanto concordamos, em muito, no que diz respeito a “ECONOMIA de DEUS”.

 

Hoje estudaremos sobre o PLANO de DEUS através dos séculos e tentaremos esclarecer a LINGUAGEM do Senhor ao homem. Vamos desvendar o porque do ABSTRATO ter se CONCRETADO.

 

“ECONOMIA” é uma citação de Iª. Timóteo 1:4. De acordo com o grego “ECONOMIA” é a palavra grega “oikonomia”, que fundamentalmente significa o gerenciamento de uma casa, a administração de uma casa, arranjo e distribuição, ou dispensação (de riquezas, propriedades, assuntos, etc.). É usada com a intenção de enfatizar o ponto focal do divino empreendimento de Deus, que é distribuir ou dispensar a Si mesmo para dentro do homem. [O homem ficou destituído da GLÓRIA de DEUS, isto é, do Shekinah no Santo dos Santos, (espírito humano).]

 

As três pessoas da Deidade são para a economia de Deus, a distribuição divina, a santa dispensação. O Pai - como a fonte, é corporificado no filho, materializado ou se feito de concreto; o Filho - como a corrente, é tornado concreto no Espírito como a transmissão; Deus Pai é um Espírito (Jo.4:24); e Deus Filho, como o último Adão, tornou-se o Espírito que dá vida (Iª.Co.15:45). Tudo está em Deus Espírito, que é o Espírito Santo revelado no Novo Testamento. Este Espírito, hoje, com a plenitude do Pai nas riquezas do Filho, entrou no nosso espírito humano e já habita para dispensar tudo o que Deus é para dentro do nosso próprio ser. Essa é a economia de Deus, a dispensação divina. O Espírito Santo de Deus, habitando no nosso espírito humano para dispensar para dentro do nosso ser tudo o que Deus é em Cristo, é o foco, é exatamente o ponto crucial dessa misteriosa distribuição de Deus Triúno. Esse é o campo de batalha de guerra espiritual. É necessário voltar ao Espírito Divino ao nosso espírito humano, para que possamos ser guardados de perder o ponto crucial da economia divina. Portanto, voltar ao espírito, permanecer nele e exercitá-lo para substantificar (Substantificar: dar forma concreta a). O Espírito de Deus é fundamentalmente necessário hoje.

 

O termo economia é utilizado várias vezes no original grego do Novo Testamento, principalmente nas cartas de Paulo (Lc.16:1a 4 e 8; Iª Co. 9:17; Ef.1:10; 3:2; Cl.1:25; IªTm.1:4), e corresponde, na maioria das traduções para o português, à palavra “dispensação”. Assim o Novo Testamento desvenda-nos qual o propósito eterno de Deus, e como Ele pretende cumprir tal propósito por meio de Seu povo escolhido. Em Sua economia, Deus não pretende apenas salvar o homem, mas muito mais do que isso: pretende dispensar a Si mesmo como vida e como tudo para dentro de Seu povo escolhido, a fim de cumprir o Seu propósito eterno de ser expresso em Seu povo e tratar com o Seu inimigo.

 

Tudo o que precisamos hoje é ter a revelação desta maravilhosa economia divina, a fim de podermos provar e desfrutar tudo o que Deus é e faz em Cristo. Por séculos, o objetivo principal do “inimigo” de Deus tem sido danificar essa economia, tornando a igreja tão desolada e dividida, causando tanto dano e insatisfação aos filhos de Deus que estão espalhados por toda a terra. Possa o senhor iluminar os olhos de nosso coração para vermos que o que a Sua Igreja precisa é da economia de Deus e não meramente de novos ensinamentos, reavivamentos ou novos movimentos, que acabam se degenerando em mais divisões. É pela economia Divina que a palavra de Deus e a genuína vida da Igreja se tornam reais e praticáveis em nosso viver.

 

Quero chamar a atenção de todos para um problema sério. Em alguns casos, existem diferenças entre traduções, verificou-se que tais diferenças também existem entre as versões corrigida e atualizada de João Ferreira de Almeida. Portanto, nesses casos, estou optando em colocar as citações das versões mais aproximadas do grego, a fim de facilitar a leitura.

 

Leiamos Iª.Timóteo 1:3a7: “Para admoestares a certas pessoas a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que antes promovem discussões do que o serviço de Deus (g r.: economia de Deus), na fé. Ora, o intuito da presente admoestação visa o amor que procede de coração puro e de consciência boa e de fé sem hipocrisia. Desviando-se algumas pessoas destas cousas (gr.: desviaram-se do ponto crucial) perderam-se em loquacidade frívola, pretendendo passar por mestres da lei”.

 

Estes versículos contêm duas expressões muito importantes, como é indicado em grego, a língua original do Novo Testamento: “a economia de Deus” e “desviaram-se do ponto crucial”. O apóstolo Paulo foi escolhido por Deus para arcar com a responsabilidade da economia de Deus e treinou seu filho espiritual, Timóteo nesta economia. É bem interessante notar que a epístola de Paulo a Timóteo foi escrita numa época em que muitos cristãos haviam se desviado do caminho original. Eles haviam perdido o ponto crucial e central da economia de Deus e estavam prestando atenção a outras coisas.

 

De acordo com a história, dois elementos principais desviaram os primeiros cristãos do caminho certo: 

1.  O JUDAÍSMO

2. O GNOSTICISMO

 

Tanto os judaizantes como as suas doutrinas e formas religiosas, quanto os gnósticos, com as suas filosofias, dissuadiram os cristãos de seguirem o Senhor no caminho da economia de Deus. Aparentemente, foram os bons elementos do judaísmo e do gnosticismo que fizeram esses primeiros cristãos se desviarem. Se esses elementos não fossem comparativamente bons, eles nunca teriam sido suficientemente fortes para levar os crentes a se desviarem do ponto crucial e da economia de Deus. Por exemplo, os judaizantes davam grande ênfase à Lei Mosaica do Velho Testamento. Certamente, não havia nada de errado com a Lei; pelo contrário, ela era inquestionavelmente certa e boa e foi dada diretamente pelo próprio Deus. Mas a Lei, em si mesmo não estava relacionada com o alvo da economia de Deus. O agnosticismo, do ponto de vista humano, também tinha bons princípios. De fato, foi uma das melhores invenções da civilização humana e foi uma espécie de ajuda para os pagãos. Mas os gnósticos tentaram introduzir a sua filosofia na igreja, desviando os primeiros cristãos do ponto crucial e da economia de Deus.

 

Hoje, embora não haja judaizantes ou gnósticos para nos perturbarem, há ainda muita coisa para nos desviar. Por quase vinte séculos, o inimigo sutil nunca cessou de usar as coisas aparentemente boas para afastar os crentes de seguirem o Senhor no caminho certo. Se despendermos tempo com o Senhor, perceberemos que o inimigo é persistente em utilizar até mesmo as coisas boas do cristianismo para desviar os filhos do Senhor do ponto crucial da economia de Deus. Percebo que muitas coisas religiosas e até mesmo bíblicas têm sido usadas pelo inimigo sutil para induzir os cristãos sequiosos a se desviarem da rota da economia de Deus.

 

SEPARANDO A ALMA DO ESPÍRITO HUMANO

Vamos começar separando a nossa alma do nosso espírito e conhecer as riquezas de Deus que Ele quer colocar dentro de nós e isto só será possível quando aprendermos a separar as coisas, do contrário misturaremos tudo (Hb.4:12). 

 

Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. Hebreus 4:12

 

Se somos incapazes de separar a alma do espírito, simplesmente não podemos contatar o Senhor. Imaginem a figura: Se o sujo sacerdote fosse incapaz de localizar o Santo dos Santos, seus esforços em contatar Deus teriam somente redundado em fracasso. Primeiro, precisava entrar no átrio exterior; de lá ele tinha de entrar no Lugar Santo e do Lugar Santo ele, por fim, entraria no Santo dos Santos. Lá ele encontraria Deus e veria a glória Shekinah da presença de Deus.

 

Precisamos aprender a discernir o nosso espírito da nossa alma. A alma esconde e cobre o espírito, assim como os ossos encobrem a medula. É fácil ver os ossos, mas não a medula que está escondida no interior. Se quisermos a medula, precisamos quebrar os ossos. Não podemos imaginar como o nosso espírito adere a nossa alma! 

 

Nosso espírito está escondido, encoberto no seu interior. A alma é facilmente reconhecida, mas o espírito é difícil de reconhecer. Conhecemos um pouco sobre o Espírito de Deus através das ESCRITURAS e das interpretações das religiões, mas não conhecemos o espírito humano. Por que? Porque o espírito está escondido na alma. Por isso a alma necessita ser quebrada, e assim como as juntas são a parte mais forte dos ossos, também a nossa alma é muito forte. Temos um espírito, mas a nossa alma o cobre. A Palavra de Deus, como uma espada afiada, deve penetrar em nossa alma, de maneira a separá-la do espírito.

 

“Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência” (Hb.4:9,11). Qual é este descanso? Precisamos dar uma olhada em outro tipo do Velho Testamento para descobrir o seu significado. (NOTEM que no Novo Testamento também existem tipos como a Ceia, Batismo, Testemunhos, Montes, Orações com Oblações, Sacrifícios, etc.) Depois que os israelitas foram libertados e salvos da terra do Egito, eles foram trazidos para o deserto com a intenção de que prosseguissem para a terra de Canaã. A terra de Canaã era a sua terra de descanso, um tipo do Cristo todo-inclusivo. Cristo é a boa terra de Canaã, e Ele é nosso descanso. Se quisermos entrar no descanso, precisamos entrar em Cristo. Mas onde está Cristo hoje? Respondemos que Ele está em nosso espírito. 

 

Os israelitas, que foram conduzidos para fora do Egito, ao invés de prosseguirem para Canaã, vagaram por muitos anos no deserto. O que isso prefigura? Significa que muitos cristãos, após serem salvos, estão simplesmente vagando na alma. A razão pela qual o livro de Hebreus foi escrito é que muitos cristãos hebreus foram salvos, mas estavam vagando na alma. Eles não queriam prosseguir do deserto para dentro da boa terra, isto é, para dentro do Cristo que habitava em seu espírito. Não devemos continuar vagando em nossa alma, mas prosseguir diligentemente para entrar em nosso espírito, onde Cristo é nosso descanso.

 

ILUSTREMOS com o seguinte diagrama: Antigamente, todo o povo de Israel tinha acesso ao átrio exterior, mas somente os sacerdotes podiam entrar no lugar Santo. Mas ainda, dentro do Santo dos santos somente um, o sumo sacerdote, podia entrar, e este somente uma vez ao ano. Além disso, de todos os israelitas que foram salvos e trazidos do Egito para o deserto, muito poucos entraram na boa terra de Canaã.

 

Embora possamos ter sido salvos há anos, devemos por perguntar se presentemente somos um cristão vivendo no corpo, na alma ou no espírito. Estamos, no Egito, no deserto ou na boa terra de Canaã? Pergunte ao Senhor e examine-se a fim de certificar-se onde você está. Francamente, muitos crentes estão vagando o dia inteiro na alma, isto é, no deserto. Pela manhã eles tem faces sorridentes, mas à tarde eles estão tristes com “caras amarradas”. Um dia parecem estar nos céus, outro dia estão abatidos... Estão vagando na alma, no deserto, sem descanso, andando em círculos dia após dia. Eles podem estar buscando o Senhor há vinte anos, mas ainda estão andando em círculos, assim como o povo de Israel, que vagou por trinta e oito anos sem avanço e sem progresso. Por quê? Porque eles estavam na alma. Quando estamos na alma, estamos no deserto.

 

Por isso o escritor de Hebreus enfatizou a necessidade de se dividir alma de espírito. A Palavra de Deus deve penetrar em nós de maneira que possamos saber como prosseguir, diligentemente, da alma para dentro da boa terra, o Santo dos Santos do nosso espírito humano. Um crente almático é aquele que vagueia no deserto da alma, onde não há descanso.

 

O sumo sacerdote precisava passar pelo véu para poder entrar no Santo dos Santos: assim, o véu prefigura a carne (Hb.10:20), deve ser rasgado e rompido. Além disso, o povo de Israel precisava atravessar o rio Jordão para poder entrar na boa terra. Sob as águas do Jordão eles sepultaram doze pedras, representando as doze tribos de Israel, e outras doze pedras, representando os israelitas ressuscitados, foram trazidas para dentro da boa terra. A velha geração de Israel foi sepultada nas águas mortas do rio Jordão. Tudo isso tipifica que o homem natural, a vida da alma ou a velha natureza precisam ser rompidos como o véu e sepultados como o velho homem. Então poderemos entrar no Santo dos Santos e na boa terra desfrutar Cristo como nosso descanso.

 

Israel Sarlo

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