18. fev, 2017

II CORÍNTIOS – Parte histórica – Aula 02

Parte 02 de 04

II.         Paulo em Corinto

Para melhor compreensão do contexto vamos percorrer a viagem de Paulo à Corinto. Para tanto, usaremos algumas referencias fora de 2ª Corintios.

 

Quando Paulo chegou em Corinto pela primeira vez, estava experimentando grande desânimo. Tivera em Filipos um começo prometedor esmagado pela oposição de Judeus fanáticos. A mesma coisa acontecera em Tessalônica e em Beréa. Em Atenas tivera pouco sucesso. Não admira que quando foi para a ocupada, orgulhosa e intelectual Corinto, fosse “em fraqueza, temor e grande tremor” (1Co 2:3). Seus companheiros nessa viagem missionária, Silas e Timóteo, estavam ocupados na Macedônia, de modo que, provavelmente, Paulo estava sozinho, o que não tornaria as coisas nada mais fáceis.

 

Chegado a Corinto, hospedou-se com Áquila e Priscila, judeus que tinham sido expulsos de Roma mediante um decreto do imperador Cláudio, e, como Paulo, fabricantes de tendas por profissão. Quando Silas e Timóteo se juntaram de novo a ele, trouxeram-lhes notícias de que, a despeito de toda a oposição, os conversos de Paulo em Tessalônica permaneciam firmes. Paulo viu que, apesar das dificuldades e de desencorajamento que enfrentara, a bênção de Deus pousava sobre a obra que ele realizara. As notícias lhe deram novo ânimo, e ele se entregou á proclamação do Evangelho com renovada energia. “Paulo se entregou totalmente á palavra, testemunhando aos judeus que o Cristo é Jesus” (At.18:5).

 

Contudo, a sua pregação não se provou aceitável para os judeus, e ele foi constrangido a abandonar a sinagoga.  Não com muito tato, foi á casa de Justo, contígua á sinagoga (Deve-se admitir que ele escolheu uma localização que não tinha a probabilidade de evitar aborrecimento, conquanto tivesse a vantagem de ser facilmente encontrada pelos tementes a Deus que anteriormente freqüentavam a sinagoga), casa que aparentemente veio a ser a sua nova base para a pregação (Parece que é este o sentido de At. 8:7, e não que deixou de morar com Áqüla e Priscila, passando a morar com Justo). “O principal da Sinagoga”, um tal de Crispo, creu, juntamente com toda a sua casa (At.18:8). Mas estes são os únicos judeus convertidos em Corinto, de que lemos em Atos (a menos que Áqüila e Priscila se tenham convertido lá), e é em harmonia com isto que não figuram nomes judaicos nas epístolas aos coríntios. (É possível que haja outro judeu. O Sóstenes que se uniu a Paulo e a Timóteo na a saudação (1Co 1:1) pode ser “o principal da Sinagoga” de At.18:7). Mas isso está longe de se poder dizer com certeza.). Mas muitos coríntios creram e foram batizados. Paulo foi encorajado por uma visão (talvez ao tempo da sua expulsão da sinagoga) que lhe assegurou que Deus tinha “muito povo nesta cidade” (At.18:10). Ele ficou em Corinto coisa de dezoito meses, e evidentemente fez muitos conversos. Não se nos fiz expressamente, mas parece provável que ali, como em qualquer outra parte, a grande massa dos crentes veio da classe de pagãos devoto que se haviam ligado frouxamente á sinagoga. Estavam insatisfeitos com a vida pagã e com a moralidade pagã. Sentiram-se atraídos pela moral elevada e pelo monoteísmo puro dos judeus, mas repugnava-lhes o nacionalismo estreito deles, e algumas das suas práticas rituais, como por exemplo a circuncisão. Essas pessoas, de modo geral, deram calorosas boas vindas ao cristianismo. Viram nele uma fé que as satisfazia, e que estava livre das coisas que achavam objetáveis no judaísmo. Alguns dos conversos eram pessoas de recursos. Gaio é mencionado em Rm.16:23 (carta quase certamente escrita de Corinto) como “meu hospedeiro e de toda a igreja”. O mesmo versículo se refere a Erasto como “tesoureiro da cidade”. Se estamos certos, considerando (1Co 1:11) Cloe como conversa coríntia, ela foi uma mulher rica, dona de escravos, e com interesses em Corinto e em Éfeso (mas, talvez fosse, com maior probabilidade, uma efésia com interesses em Corinto). Não é provável que fosse procedente das classes mais altas. O nome “Cloe”) era um epíteto de deusa Deméter. Geralmente os que tinham nomes de divindades eram escravos ou libertos; conseqüentemente, na maioria os comentadores acham que Clóe era uma liberta, embora rica. As referências de Paulo a alguns crentes envolvidos em litígios e freqüentadores de banquetes particulares apontam para libertos, e homens de recursos. Mas, a despeito destes exemplos, o maior volume dos crentes era proveniente das camadas sociais inferiores, como ele salientou em 1 Co 1:26 e seguintes.

 

Por toda a Grécia, Paulo viu que, tão logo sua missão parecia propensa a obter sucesso, os judeus levantaram oposição (“Ele não era apenas um fariseu renegado que acreditava num Messias, mas um homem assim e de sucesso” diziam todos, daí era o que eles achavam impossível perdoar). Corinto não constitui exceção. As epístolas aos tessalonicenses, quase certamente escritas de Corinto, mostram algo da determinada oposição que  ele estava experimentando (1ª Ts.2:15; 2ª Ts.3:1,2). Ele foi compelido a parar de pregar na sinagoga. Mas tarde, os seus inimigos o levaram perante o procônsul Gálio, acusando-o de persuadir os homens a “adorar a Deus, por modo contrário a lei” (At.18:13). Gálio depressa viu que Paulo não era transgressor da lei, mas que a contenda era puramente religiosa. Por conseguinte, destituiu o caso, e Paulo ficou livre para continuar a sua obra sem embaraços. Da duração da sua estada, deduzimos que ele considerava a sua missão em Corinto como possivelmente a mais importante que até então empreendera.

 

Israel Sarlo

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