3. mar, 2017

II CORÍNTIOS – Parte histórica – Aula 04

Parte 04 de 04

IV.       Ocasião e Propósito de 1ª Coríntios

A ocasião imediata da epístola foi a carta que Paulo recebeu da igreja coríntia, e à qual uma réplica era necessária. Conseqüentemente ele escreveu, respondendo questões que lhe foram levantadas, perguntas sobre casamento e celibato, sobre alimento oferecido a ídolos, e provavelmente também sobre o culto público e sobre os dons espirituais. Havia dificuldades na mente dos cristãos coríntios. Paulo escreveu para resolver essas dificuldades.

 

Mas, evidentemente, o que importava muito mais para Paulo era a notícia que lhe chegara independentemente da carta. Havia inquietantes irregularidades na conduta dos crentes de Corinto. Paulo estava preocupado com a “tendência da parte de alguns membros de tornar a ruptura com a sociedade pagã tão indefinida quanto possível... A igreja estava no mundo, como tinha de estar, mas o mundo estava na igreja, como não devia estar”. Tanto efeito essa questão causou a Paulo, que ele gastou seis capítulos tratando dela antes de sequer tocar nas questões sobre as quais lhe tinha escrito.

 

Ele estava preocupado com a s divisões dentro da igreja. Os partidos se haviam formado legando-se aos nomes de Paulo e Apolo ou Pedro, ou até de Cristo. Paulo passa um tempo enorme tratando disso, e é evidente que o julgava coisa séria. Depois, havia um caso de incesto. A igreja, porém, não censurava o ofensor. Provavelmente, como o coloca L. Pullan, “Eles achavam difícil odiar o sensualismo que anteriormente consideravam divinos”. Havia também um espírito contencioso. Alguns membros da igreja tinham de fato buscado a lei com outros, e Paulo achava que isso tinha de ser corrigido. Em seguida, a sua atenção se volta para a impureza sexual. Não se podia permitir a continuação de pecados grosseiros dessa espécie. Primeiramente antes de tudo, 1ª Coríntios é uma carta que visa á reforma do comportamento. 

 

Havendo tratado desses males graves, Paulo se volta para as questões mencionadas na carta a ele escrita. Depois inclui uma passagem magnífica sobre a ressurreição, trazida a lume, ao que parece, pelo fato de que alguns dos coríntios negavam que os mortos ressuscitarão (15:12). O resultado disso tudo é ‘“uma inesgotável mina de pensamento e vida cristã’. Em nenhum outro lugar do Novo Testamento há uma incorporação mais multiforme dos imperecíveis princípios e instintos que devem inspirar cada membro do corpo de Cristo em todos os tempos”.

 

O propósito de Paulo, então, ao escrever esta epístola, é principalmente endireitar desordens que os coríntios encaravam superficialmente, mas que ele considerava graves pecados. Em segundo lugar, escreveu para responder questões que lhe levantaram. Em terceiro lugar, escreveu para ministrar algum ensino doutrinário, particularmente sobre a ressurreição. (Manson vê a epístola como provavelmente escrita contra o cenário de fundo da luta de Paulo “contra os agentes do cristianismo judaico palestino, sob a direta liderança de Pedro, ou agindo em seu nome”. Contudo, embora o artigo de Manson seja muito estimulante, não parece ter estabelecido o ponto que tem em mira). Mas seria um engano considerá-la, por isso, irrelevante para as nossas necessidades. O coração do homem não muda, e os princípios sobre os quais Paulo trabalha são tão importantes para nós quanto para os coríntios do primeiro século. Como Godet o coloca, “a tendência de fazer das verdades religiosas o tema de estudo intelectual em vez de uma obra da consciência e de aceitação do coração, a disposição disso resultante, de nem sempre colocar a conduta moral sob a influência da convicção religiosa, e de dar campo a esta mais num discurso oratório do que no vigor da santidade __ são defeitos que mais de uma nação moderna partilha em comum com o povo grego”. Paulo não apenas trata de problema que têm um modo de reaparecer noutras épocas e regiões; ele nos dá o princípio sobre o qual agir. Ele trata de problemas cotidianos “de um ponto de vista central, e coloca os problemas cotidianos á luz da eternidade.”.

 

Israel Sarlo

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