4. set, 2017

II Coríntios - Aula 08: OS QUE AMAM A IGREJA E A EXPERIENCIAM EM CRISTO

Capítulo 8 de 2ª Coríntios

Leitura Bíblica: 2ª Co.1:1; 11:28-29; 12:11-19, 7-10.

 

Até agora vimos oito aspectos das pessoas que vivem e andam no espírito, na presença do Senhor: cativos, catas, espelhos, vasos, embaixadores, cooperadores, templo e virgem. Neste capítulo desejamos ver os dois últimos aspectos de tais pessoas: os que amam a igreja e vivem na experiência em Cristo.

 

OS QUE AMAM A IGREJA

Se realmente fomos capturados pelo Senhor, estamos sob a Sua inscrição no espírito, somos espelhos desvendados refletindo-o todo o tempo, somos vasos quebrados para expressá-lo, somos sérios diante do Senhor quando a representá-lo nesta terra como seus embaixadores, estamos atados a ele como um, para sermos seus cooperadores, somos o templo para seu descanso e somos as virgens para ele, para sua satisfação, seremos então certamente aqueles que amam a igreja,  porque o Corpo de Cristo, a igreja, é o que Cristo almeja. Nada é tão precioso aos olhos do senhor em seus sentimentos, como a igreja. Efésios 5 diz-nos que Cristo amou a igreja a tal ponto que a si mesmo se entregou por ela (v.25). Alguns cristãos diriam que não devemos considerar tanto a igreja. Sentem que devemos ter cuidado não considerarmos a igreja mais do que a Cristo e fazer da igreja um ídolo para nós. Mas se soubermos o que é a igreja e se amarmos ao Senhor e percebermos qual o desejo de seu coração, amaremos mais a igreja, mais do que nunca. Hoje o Senhor é pela igreja e por nada mais. Ele deseja que a igreja, seu corpo, expresse-o hoje nesta terra entre a raça humana. A igreja não é algo futuro e não é algo meramente nas regiões celestiais. No futuro e nas regiões celestiais não existirão problemas a serem vencidos. Mas hoje, aqui nesta terra, precisamos vencer todos os problemas para pereber-mos o que á vida da igreja a fim de que possamos cumprir o desejo do coração do Senhor. IICo. Mostra-nos que o coração do apóstolo Paulo era totalmente pela igreja e  estava totalmente na igreja. A igreja era-lhe tão preciosa porque ele percebia qual é o desejo do coração do Senhor.

 

Esta carta não foi dirigida a santos individuais, mas á igreja de Deus (1:1). Não foi endereçada á igreja nas regiões celestiais, mas á igreja em Corinto. Em 1:1, Paulo diz: “Á igreja de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia” (VRC). Paulo usou a expressão “com todos os santos”, e não “e todos os santos.” Precisamos ver a diferença entre essas duas expressões. Usar a conjunção “e” significa que a igreja e os santos são duas entidades separadas, mas usara “com” significa que a igreja inclui os santos. Os santos pertencem á igreja. Se não for um com a igreja, você não estará qualificado a receber essa epístola. Para receber essa cara você tem de estar na posição da igreja. Esta carta não foi escrita a nenhum indivíduo. Vimos que o templo é um templo corporativo e que Paulo desposou os crentes como uma virgem corporativa a Cristo. Se não estiver com a igreja, você não tem posição para receber o que esta em IICoríntios, porque toda a carta é escrita a igreja com os santos. Uma carta pode ser escrita a uma escola com os estudantes, mas não á escola e aos estudantes individualmente. Os estudantes não têm a posição de receber essa carta se não estiveram na escola.

 

A carta de Paulo foi endereçada á igreja em determinada cidade nesta terra, não á igreja nas regiões celestiais. Você pode dizer que está numa igreja, mas está numa igreja abstrata, oculta, invisível nas regiões celestiais? Ou numa igreja local, concreta, visível e prática que está hoje nesta terra exatamente no lugar em que você se encontre? Muitas pessoas que falam acerca da igreja não estão na igreja. Estão falando acerca de uma casa maravilhosa futura, nas regiões celestiais, mas hoje não tem casa. Todas as Epístolas escritas pelos apóstolos tratam de as igrejas locais na terra. Todos precisamos estar numa igreja local onde possamos praticar hoje a vida cristã adequada. (Um esclarecimento: A igreja visível é o local onde trabalhamos Cristo. A necessidade de entendermos isto é grande. Quando falamos em igreja visível estamos falando de um grande depósito cheio de matérias primas para edificarmos o edifício de Deus, material este que necessita ser tratado e colocado em seu divido lugar. Só existirá inauguração deste edifício quando este estiver pronto e aprontá-lo e trabalho nosso. Organizar todo este material é trabalho da igreja invisível, isto é, daqueles que já passaram desta para (física) para aquela (invisível). Jesus só se torna Cristo quanto ressuscitado. De Salvador passa a ser o Ungido. É bom sabermos que nem uma nem a outra está em regiões celestiais, somente fomos abençoados nelas e que nelas estão todas as nossas bênçãos. Quando passamos da visível para a invisível, aqui mesmo, já passamos desta para a outra vida, isto é, as bênçãos de Ef.1:3-4 se integram definitivamente em nos).

 

O apóstolo Paulo foi um padrão daqueles que amam a igreja. A igreja em Corinto difamava a Paulo pelas costas (coisas de igreja visível). Diziam que ele era astuto ao obter lucro, locupletando-se com o envio de Tito para receber a coleta destinada aos santos pobres (12:16). Se os irmãos em suas localidades dizem que você é astuto e que os surpreendem com dolo, você pode desejar deixar aquela localidade. Se o fizer, isso significará que você não é alguém que realmente ama a igreja. A despeito de os corintos falarem tais palavras más acerca dele, Paulo ainda os amava. Em 12:15, ele diz: “Eu de muito boa vontade, gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que amando-vos cada vez mais, seja menos amado” e também 12:14 (VRC). Paulo “gastar” significava gastar o que ele tinha, referindo-se ás suas posses. Paulo “deixar-se gastar” era ele ser gasto naquele que ele era, referindo-se a seu ser. Paulo era muito franco, puro e sincero, contudo a igreja á qual ele ministrava disse que ele era astuto. Ele não ficou contente com isso, todavia não ficou ofendido. Ele ainda amava a igreja.

 

Uma mãe verdadeira e adequada pode ficar descontentes com seus filhos, mas não se ofenderia e os deixaria porque ela os ama. Se quiséssemos imitar a Paulo, que é um modelo para os crentes (1 Tm.1:16), temos de amar a igreja a despeito de como somos tratados por ela. Se a igreja em sua localidade o trata de modo negativo, é-lhe fácil ter a atitude de retirar-se da igreja. Alguns santos não vão ás reuniões da igreja porque foram ofendidos por determinado irmão. Isso mostra que tal pessoa nunca viu o que é a igreja, o Corpo de Cristo em prepara para formação. Nunca viu o que é a expressão local do Corpo. Se realmente vir isso, você nunca ficará ofendido com a maneira como a igreja o trata. Você ainda amará a igreja. Pode ocorrer que quando mais amar a igreja, menos a igreja lhe corresponda. Você pode sentir que está sendo “desprestigiado” demais para continuar reunido-se, e para prosseguir com a igreja em sua localidade. Isso mostra que você não é alguém que ama a igreja, mas que ama preservar-se. Se ama a igreja, você não deve pensar em como preservar-se. Se tem a visão sobre a expressão local do Corpo de Cristo nesta terra no lugar em que você se encontra, nunca será ofendido pela igreja.

 

Em 11:28, Paulo diz: “Além das coisa exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas.” As palavras “o que pesa sobre mim” neste versículo significam literalmente “uma multidão(de preocupações)me pressionando”. Paulo amava a todas as igrejas em as inquietações sinceras por todas elas. Se desejamos que II Coríntios seja a nossa experiência, devemos ser um com a igreja e amá-la incondicionalmente.

 

AQUELES QUE TÊM EXPERIÊNCIA COM CRISTO

O décimo aspecto de uma pessoa vivendo no espírito é que ela vive em experiência com Cristo. Se quisermos amar a igreja temos de experimentar a ciência de Cristo, aliás, Jesus sobre esta ciência ocultada pelos judeus diz: “Ai de vós doutores da lei, pois que tomastes a chave da ciência. Vos mesmos não entrastes, e impedistes os que estavam.” Então termos algo de Cristo para ministrar á igreja que amamos. Em II Coríntios existe o aspecto de amar a igreja e até mesmo o aspecto de termos a ciência obtida de Cristo, de desfrutar Cristo e de prová-lo. Paulo recebeu muitas visões e revelações (intuitivamente) ele nos fala que foi “arrebatado ao terceiro céu” (12:2) e que foi “arrebatado ao paraíso” (v.4). Como um homem que vivia na terra, o apóstolo conhecia as coisas da terra. Mas os homens não conhecem as coisas dos céus ou do paraíso, a parte aprazível do Hades (Lc.23:43; 16:23, 25). Entretanto, o apóstolo foi levado a esses dois lugares desconhecidos. Daí, ter recebido visões e revelações dessas regiões ocultas. Por essa razão, ele menciona essas duas partes extremas do universo.

Essas visões e revelações, contudo, não qualificaram Paulo a ser alguém que ama a igreja. Não são as visões e revelações que nos qualificam a ser alguém que ama a igreja, e, sim, a experiência e o cozo de Cristo. Após ter recebido as visões e revelações, Paulo disse: “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte” (12:7). Paulo pediu três vezes ao Senhor para tirar o espinho, para que Paulo pudesse experimentar ou desfrutar o Senhor como graça e a experiência de seu poder. A resposta do Senhor a Paulo foi: “A minha graça de basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (12:9) – VRC). Isso não foi uma visão ou uma revelação, mas uma experiência.

 

Hoje o Corpo de Cristo não necessita de um grupo de pessoas que simplesmente tenham as visões e as revelações, mas que tenham a experiência prática de Cristo. O Corpo necessita daqueles que desfrutam Cristo, que experimentam Cristo de modo bastante prático. É por mio dessa experiência que temos algo de Cristo, de modo prático, para ministrar o seu corpo. Revelações e visões, sozinhas, não funcionam. O apóstolo Paulo tinha as visões, contudo teve de ser posto no “forno”. Se disser que tem as visões e as revelações, esteja preparado para ser posto no forno Sofrimentos e provações sempre são a ordenação do Senhor para nós, a fim de que possamos ter experiência com Cristo como graça e poder. O Senhor permite que um espinho venha até nós para que possamos ter a experiência do poder de Cristo em nossa fraqueza.

 

Hoje a igreja necessita de um grupo de irmãos e irmãs que estejam sob pressão, o espinho, para experimentar vivenciando Cristo de modo prático. Precisamos experimentá-lo como a graça todo-suficente que vem ao encontro de nossa necessidade em todo tipo de circunstância, e precisamos experimentá-lo, provando o seu poder sendo aperfeiçoado em nossa fraqueza. Para engrandecer a suficiência da graça do Senhor, são necessários os nossos sofrimentos; para exibir a perfeição do poder do Senhor, nossa fraqueza é necessária. É pela nossa experiência de Cristo como graça e poder que teremos algo real de Cristo para  ministrar ao seu Corpo que amamos. Se somos os que amam a igreja, temos de ser os que experienciam Cristo. De outro modo, não teremos nada para ministrar à igreja. O que temos desfrutado e a quem experimentamos. Precisamos da experiência prática de Cristo ao longo do nosso sofrimento. O ministério é constituído, produzido e formado com as experiências das riquezas de Cristo por meio de sofrimentos, pressões consumidoras e da obra aniquiladora da cruz.

 

Israel Sarlo

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