17. set, 2017

II Coríntios - Aula 09: O ESPÍRITO DE PAULO

Capítulo 9 de 2ª Coríntios

Leitura da Bíblia: IIª.Co.6:11-13; 7:2-4, 12-16; 10:1-2, 7-12; 11:1, 5-31; 12:1, 11-19

 

Se lermos os versículos acima cuidadosa e repetidamente, veremos que tipo de espírito este homem, o apóstolo Paulo, possuía. Paulo escreveu catorze epístolas no Novo Testamento, mas nenhuma dessas epístolas dá-nos um quadro do espírito de Paulo, assim como o faz II Coríntios. Como já enfatizamos, esta carta pode ser considerada como uma autobiografia do apóstolo. Neste capítulo quero enfatizar que tipo de espírito tinha o apóstolo enquanto servia à igreja. Não me refiro a sua atitude, pensamento, conhecimento ou emoções, mas a seu espírito. Nosso espírito é a parte mais profunda de nosso ser. Podem também ser considerado como a parte genuína, verdadeira do nosso ser. Um homem genuíno é um homem no espírito. Podemos ser bondosos para com os outros, mas somos falsamente bondosos porque o somos na alma, não no espírito. Quando fazemos as coisas no espírito, somos verdadeiros e genuínos porque nosso homem verdadeiro, nosso ser real, está no espírito. Algumas vezes, conversamos na alma, não no espírito. Quando falamos desse modo, estamos meramente dizendo algo conveniente aquela situação e o nosso falar é mundano. Quando conversamos no espírito, somos reais e genuínos. Neste capítulo desejamos ver nove aspectos do espírito maravilho de Paulo. Não me refiro a interpretação sobre o Espírito Santo das igrejas pentecostais, mas sim, quero falar do espírito humano de Paulo (At.17:16; 19:21; Rm.1:9; 2ª Co.2:13).

 

1º ASPECTO: UM ESPÍRITO ABERTO

Tendo como base a leitura bíblica, a primeira característica, a primeira virtude do espírito desse escritor é sua abertura. Esse homem, Paulo, tinha um espírito aberto. Não é fácil ter um ter esta característica. Pelo contrário, é fácil não abrir o nosso “escondido”, trancá-lo. Pode acontecer de estarmos, na maior parte do tempo, fechados em nossos espíritos. Quanto mais somos caídos, mas somos fechados em nosso “escondido”; quanto mais libertos, quanto mais somos transformados (Rm12:1) mais somos abertos no “intimo”. Mais os segredos no “oculto” deixa de ser segredo. Passamos a conhecer a verdade e esta passa a nos libertar. Portanto, para a vida da igreja, necessitamos de um espírito aberto.

 

Você pode abrir sua mente, sua emoção, e até mesmo todo o seu coração, e ainda assim pode não ter aberto o seu espírito totalmente para os outros lerem e terem acesso as indicações, ou os sinalizadores da estrada ou do Caminho (Jesus) que os leve ao Pão e a água da Vida (Jo.4:14). Quando abre seu espírito, você se torna total e completamente aberto aos outros. Na sociedade de hoje, dificilmente uma pessoa é aberta a outra. Abrem-se uns aos outros no máximo na alma, expondo suas paixões, ódios, dúvida daí, os iguais, tiram todo o proveito e não se abrem no espírito. Pode ocorrer o mesmo no meio da igreja visível. Para a edificação da igreja, para a vida da igreja, temos de estar abertos uns aos outros, como se fossemos computadores sem nenhuma senha, livre e pronto para ser acessado, lido e como fonte de informação para os desenformados da verdade. Tenho de me abrir como você no espírito, mas isso requer a graça do Senhor e requer o operar da cruz. Nosso homem natural tem de ser quebrado, então nos abriremos uns aos outros no espírito.

 

Você é aberto aos irmãos em seu espírito e partindo do seu espírito? Embora isso não seja fácil, existe a necessidade de tal abertura de nosso espírito para com os outros. Estar aberto em seu espírito para os crentes de Corinto, não era fácil para o apóstolo Paulo. Quando é bem recebido por um grupo de pessoas, é fácil estar aberto em seu espírito para elas. No entanto, quando é criticado, encontra oposição e é menosprezado, você se torna fechado como um “caramujo”. Você recolherá todo seu ser para dentro da “casca”, e ali se esconderá. Enquanto o criticarem, você permanecerá na casca. Quando lhe derem boas vindas você aparecerá para cumprimentá-los. A casca em que nos recolhemos quando outros nos desprezam e nos criticam é nosso ego. Quando entramos nessa casca, ninguém pode nos tocar. Se todos os membros de uma igreja são “caramujos” como pode ser prevalecente a edificação da igreja? Por causa do Senhor e pela edificação da igreja, todos temos de abrirmos uns aos outros. Temos de abrir-nos aos outros membros. Nunca vi dois caramujos trabalhando juntos. Todo caramujo é individualista. É necessário que o quebrantamento da vida divina rompa a casca do ego para que todos tenhamos espírito aberto.

  

2º ASPECTO: UM ESPÍRITO FRANCO

Os versículos da leitura bíblica também nos mostram que Paulo era um homem com um espírito franco. Hoje, na igreja, é difícil vermos irmãos que sejam realmente francos. Não devemos ser políticos na vida da igreja, e, sim, sempre dizer as coisas na frente dos irmãos. Não devemos ser caluniadores (Rm.1:30; Gl.5:15). O apóstolo Paulo era uma pessoa franca com um espírito franco, precisamos ser da mesma forma. Ás vezes, quando é franco com os outros, eles podem pensar que você esteja bravo com eles. Na sociedade americana de hoje, as pessoas aprenderam a ser políticas. Até mesmo alguns ministros e mestres chamados cristãos tornaram-se políticos. Podem exaltar uma pessoa diante dela e, contudo, dizer algo por trás. Isso é algo demoníaco. Na vida da igreja não devemos ter raiva uns dos outros. A ira não realiza nada para o Senhor, contudo, temos de se francos.

 

Quando vemos que nossa unha está suja, ou nossa boca ou olhos, não mostramos aos outros, corremos e tratamos de limpar, não é assim? Porque então que, aos membros do Corpo de Cristo, que deveria ser membros seu também, quando doente, sujo, você, eu, os expomos ao ridículo e ainda dizemos que estamos fazendo justiça? Quando estou errado em determinado assunto, você deve dizer-me francamente em amor, num espírito adequado. Um irmão pode, ate mesmo, ir a outro irmão para perguntar se está errado em determinada questão. Se o irmão responde que ele não está errado e, então, por trás, fala coisas más a seu respeito, age com o “uma serpente com duas línguas”. Não devemos falar por trás o que não podemos falar pela frente das pessoas. Se seu espírito não lhe permite dizer, não o diga. Se disser algo, deve dize-lo sinceramente, francamente. Paulo era tão franco que chegou a dizer aos coríntios: “Tenho-me tornado insensato: a isto me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós” (12:11). Temos de livrar-nos interiormente de todos os elementos da serpente astuta. Na expressão local da igreja, futuro do Corpo de Cristo (pois quem assim agem está na igreja visível, está se tratando para ser membro do corpo da igreja invisível), temos portanto, de ser bastante fiéis e francos. Se estou errado, diga-me que estou errado em amor. Caso contrário, não diga nada.

  

3ª ASPECTO: UM ESPÍRITO PURO

O apóstolo Paulo também foi alguém que teve um espírito puro. Se nunca diz nada, lhe é fácil deixar nos outros a impressão de que é puro. Mas uma vez que começa a falar, sua pureza ou sua falta de pureza, será manifestada. Em 2ª Coríntios, o apóstolo Paulo se abriu e falou muitas coisas, contudo impressiona-nos quão puro é seu espírito. Agora podemos estar claros de que temos de ser francos, mas se desejamos ser francos temos de ser puros. Um espírito franco tem de ser acompanhado por um espírito puro. Se você não for puro, a sua franqueza me danificará. Se vou dizer a um irmão que ele está errado em determinadas coisas, tenho de testar-me: meu espírito é puro? Se não for puro, não posso ser franco e não devo ser franco. Tenho de ser franco com um motivo puro. Falar com um irmão com um espírito puro edifica. De outro modo, se for franco sem pureza, você danificará e destruirá os “irmãos”. Na vida da igreja, precisamos de tal espírito franco e puro.

  

4º ASPECTO: UM ESPÍRITO OUSADO.

Paulo também tinha um espírito ousado. Diríamos que Paulo não era um covarde. Ele era como um tigre. Disse aos coríntios: “Já o disse anteriormente, e torno a dizer, como fiz quando estive presente pela Segunda vez; mas agora, estando ausente, o digo aos que outrora pecaram, e a todos os mais que, se outra vez for, não os pouparei” (13:2). Esse é um verdadeiro servo de Cristo. Precisamos ter um espírito ousado, não um espírito tímido. É por isso que Paulo disse a Timóteo que “Deus não nos tem dado espírito de covardia” (2Tm.1:7).

  

5º ASPECTO: UM ESPÍRITO HUMILDE

O espírito de Paulo era ousado e, contudo, ainda era humilde. Se seu espírito é ousado, mas não é humilde, isso é perigoso. Você pode matar todos os irmãos por tanta ousadia. A ousadia necessita ser equilibrada com a humildade. Por um lado, temos de ser ousados; por outro, temos de ser humildes. Ou somos muito ousados ou muito humildes. Quando somos ousados não sabemos o que é a humildade, e quando humildes não sabemos o que é a ousadia. Essa característica da humildade e ousadia em nosso espírito são necessárias para a vida da igreja.

 

Algumas vezes, as irmãs são mais perspicazes que os irmãos para observar coisas que estão erradas. Elas têm tal capacidade de ver o que está errado e o que está fora, mas a maior parte das vezes não são tão ousadas. Elas descobrem que algo está errado, mas não ousam dizer aos irmãos. Usam a desculpa de que são os vasos mais fracos (1Pd.3:7). Ser humilde é adequado, mas algumas vezes as irmãs têm de exercitar um espírito ousado.

  

6º ASPECTO: UM ESPÍRITO DE AMOR

Paulo usou palavras ousadas, mas suas palavras eram cheias de um espírito de amor. O espírito de Paulo era um espírito de amor, um espírito que sempre se alargava para amar aos outros, para cuidar dos outros. Não quero dizer que precisamos de um amor cuja fonte seja nossas emoções, mas que precisamos de um espírito de amor, de um espírito em nós que sempre ame as pessoas. A razão pela qual eu seria tão franco com você em meu espírito, é existir nele muito amor por você. O que uma pessoa diz com suas palavras pode ser muito diferente de seu espírito. Alguém pode dizer que o ama, mas discernindo seu espírito, você saberá que na verdade ele não o ama. Por outro lado, alguém pode dizer que não gosta de você, contudo perceberá que ele o ama em seu espírito. Muitas vezes as mães dizem aos filhos que não gostam deles e ficam aborrecidas com eles, mas os filhos sabem que as mães os amam. As palavras de uma pessoa podem ser amorosas, mas seu espírito não o é. Temos de aprender a conhecer o espírito. Quer o enalteça muito, quer diga algo para reprová-lo, você tem de discernir meu espírito, não apenas as minhas palavras. Para a edificação da vida da igreja, há a necessidade de tal espírito de amor.

  

7º ASPECTO:  UM ESPÍRITO MANSO

Outra característica do espírito de Paulo é que ele era manso. Você pode usar ousadamente as palavras, ainda assim, usá-las com um espírito manso. Precisamos ser tratados pela obra da cruz de forma que sejamos uma pessoa com um espírito manso, como o apóstolo Paulo.

  

8º ASPECTO: UM ESPÍRITO QUE NÃO BUSCA SEUS PRÓPRIOS INTERESSES

O espírito de Paulo não buscava seus próprios interesses. A Segunda Carta aos Coríntios mostra-nos que ele tinha um espírito que nuca buscava nada para si mesmo. Ele tinha um espírito livre do ego de forma completa, total e perfeita. Tudo o que seu espírito buscava era para o bem da igreja e do interesse de Cristo. Tal espírito é tão necessário na vida da igreja hoje. Se a igreja em nossa cidade será ou não edificada adequadamente dependerá de sermos ou não uma pessoa que possui um espírito que tenha todas essas características. Se todos buscamos ao Senhor para obtermos sua ajuda em sua graça a fim de termos o mesmo espírito que o apóstolo Paulo, espontaneamente a vida da igreja será edificada. Precisamos de um espírito que não busque nada para si mesmo.

  

9º ASPECTO: UM ESPÍRITO EM COORDENAÇÃO

A característica final do espírito de Paulo é que seu espírito estava sempre em coordenação com os outros. Nosso espírito pode ser manso, puro e amoroso, e ainda assim não cooperar nem ser coordenado com outros santos. Os versículos da leitura da Bíblia mostram-nos que o espírito de Paulo sempre estava em coordenação com seus cooperadores, em coordenação com as igrejas, e mesmo em coordenação com aqueles crentes que não o tratavam tão bem. Ele estava todo o tempo em coordenação, tentando ser um com os santos, com as igrejas e com os cooperadores. Ele estava em muita coordenação em seu espírito.

 

Neste capítulo vimos nove aspectos do espírito deste homem: seu espírito era aberto, franco, puro, ousado, humilde, amoroso, manso, não-egoísta, mas em coordenação. Será de ajuda ler e compreender todos os versículos da leitura bíblica com esses nove aspectos em mente. Quanto mais ler com oração todos esses versículos, mais verá que esses nove pontos são muito significativos. Essas são as verdadeiras características de uma pessoa que vive no espírito.

  

Israel Sarlo

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