2. out, 2017

II Coríntios - Aula 10: CRISTO COMO GRAÇA

Leitura Bíblica: 2Co.1:12; 4:15: 6:1: 8:1,2,9; 9:8,14,15; 12:9; 13:13; Jo 1:14, 16-17; 1 Co.15:10; Gl.6:18; 2Co 10 - 2Co 13.

 

É bom entendermos que todo bom médico 1º ouvi pacientemente o seu doente. Só depois de ouvi-lo pede os exames mediante o que o paciente lhe disse. O médico precisa diagnosticar o doente mediante a prova do exame. O mundo tem seus males, se você quer ajudar, aprenda a ler os doentes, seus males que sempre estão nas trevas e o mundo é cego. Através dos ditos, cânticos dos homens, teremos o diagnóstico necessário para lhe aplicar o remédio. Portanto vamos ouvir, examinar para curar.

 

CRISTO COMO A BOA TERRA

No começo desse estudo mencionamos que existem três grandes tipos na Bíblia retratando a maneira pela qual Deus cumpre o Seu propósito. Estes tipos são:

1. A terra de Canaã,

2. O templo e

3. A noiva.

Vimos que as pessoas que estão vivendo na presença de Deus, na glória shekinar de Deus, são o templo para o Seu descanso e as virgens para a satisfação de Cristo. Neste capítulo desejamos ver o tipo todo-inclusivo de Cristo: a boa terra. Temos de ver como Cristo como a graça de Deus é a boa terra para nós entrarmos, desfrutarmos, experienciarmos, termos parte nela e a possuirmos.

Em 2ª Coríntios temos as palavras templo e virgem, mas não há o termo boa terra. Como podemos dizer, então, que Cristo é a boa terra para nosso desfrute em 2ª Coríntios. Temos de perceber quem nesta carta vemos um grupo de pessoas que atingiram o grau máximo para cumprir o propósito de Deus. Em 1ª Coríntios Paulo comparou os coríntios aos filhos de Israel. Eles deixaram o Egito mediante a experiência de Cristo como sua Páscoa (1 Co.5:7), e estavam peregrinando no deserto, experimentando Cristo como o maná celestial, e como a Rocha espiritual da qual fluiu a água viva (1 Co.10:3-4). Mas em 1ª Coríntios não há referência á boa terra de Canaã na qual os filhos de Israel por fim entraram e possuíram. Onde está o registro da entrada na boa terra? Está em 2ª Coríntios. Embora o termo “boa terra” não seja usado nesse livro, espiritualmente falando, podemos ver a boa terra em 2ª Coríntios.  A boa terra nessa carta é o próprio Cristo como a corporificarão do Deus Triuno processado dado a nós como a graça divina para nosso cozo. Nesta carta vemos algumas pessoas que possuem Cristo como sua porção dada por Deus. Tais pessoas entraram na terra prometida e dada por Deus, e estão desfrutando essa terra, que é o próprio Cristo.

 

CRISTO COMO GRAÇA

Nesta carta Cristo é a graça. Em 13:13, Paulo diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do ESPÍRITO SANTO sejam com todos vós”. De acordo com a seqüência adequada, o amor de Deus deve vir primeiro. Aqui a graça do Senhor é mencionada primeiro porque 2ª Coríntios é uma carta sobre a graça de Cristo (1:12; 4:15; 6:1; 8:1, 9; 9:8, 14; 12:9). A graça do Senhor é o pensamento central, o assunto desta carta. Em 12:9 o Senhor falou a Paulo que sua graça lhe era suficiente.

Pode ser que a palavra graça seja bastante familiar para nós, mas podemos Ter um entendimento muito superficial desse termo. Muitos cristãos consideram que graça é um favor não merecido, algo dado a nós pelo Senhor gratuitamente. Não tenho objeção quanto a isso. Por exemplo, a morte de Cristo na cruz pelos nossos pecados é algo feito para nós gratuitamente. Sem dúvida, isso realmente é graça. O perdão e a justificação são coisas dadas por Deus a nós que são da graça. Mas precisamos ver que o NT nos mostra principalmente que graça é nada menos do que o próprio Cristo (1 Co.15:10; cf. Gl 2:20) como a corporificarão do Deus Triúno processado para o nosso gozo. Cristo não veio meramente para fazer algo por nós objetivamente nem meramente para trazer-nos algumas coisas boas da parte de Deus gratuitamente. O propósito da obra de Cristo é que ele viesse para o nosso interior... Morrer na cruz não foi o propósito, mas o meio de cumprir o propósito: Ele vir para dentro de nós como nosso gozo para que pudéssemos desfruta-lo como nossa vida, nosso suprimento de vida, nossa força e nosso tudo. Graça é Cristo vindo para o nosso interior como gozo pleno.

Em 8:1, Paulo disse: “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus, concedida ás igrejas da Macedônia”. Podemos pensar que a graça concedida significa que muitas coisas boas foram dadas a eles por Deus, mas o versículo seguinte mostra-nos o que era essa graça. “Porque no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade” (v.2). A graça não foi algo dado a eles, e, sim, que eles tiveram a força, a energia, para dar algo a outros enquanto j eram tão pobres. Na pobreza e na tribulação foram voluntários e capazes de dar algo aos outros. Isso é graça. Pode ser que quando recebemos algo dado por Deus por intermédio de outros digamos: “Louvado seja o Senhor, isto é uma grande graça”. Esse é, na verdade, um falar infantil. Se for maduro na vida divina, você compreenderá que a maior graça não é recebera algo, e, sim, que existe alguém em você dando-lhe energia e capacitando-o a dar algo aos outros. Graça não é algo recebido exteriormente, mas alguém em nosso interior, dando-nos energia, capacitando-nos e fortalecendo-nos para fazermos algo pelo Senhor.

Outro bom exemplo de graça está no capítulo doze. Nos versículos de 7 a 9, Paulo diz: “Foi me posto um espinho na carne, mensageiro de satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então ele me disse: A minha graça de basta”. Podemos pensar que se o espinho tivesse sido removido, isso seria uma verdadeira graça. Se tem alguma enfermidade, você pode pedir ao Senhor para curá-lo, para tirar sua enfermidade. Se no dia seguinte, sua enfermidade tiver ido embora, você ficará emocionado, louvando almáticamente, ao Senhor por Sua graça. Mas essa não é a graça mencionada em 2ª Coríntios. A graça que Paulo experimentou estava relacionada a um espinho na carne que lhe causava problemas e o esbofeteava a todo o tempo. O Senhor não quis tirar o espinho, até porque não foi ele quem o colocou, (não tenta e por ninguém é tentado Tg.1) antes, falou a Paulo que Sua graça lhe era suficiente. Se fossemos Paulo, poderíamos Ter argumentado com ele: “Senhor, se tua graça é suficiente, tem de ser suficiente para retirar o espinho”. (Notem que o texto nos diz que se estamos preocupados com o espinho, ele esta sendo maior que a graça e que a graça só exercerá a gratuidade sem o empecilho e a graça tudo cessa. O problema não é tirar o espinho e sim possuir a graça, não há portanto troca: sai o espinho para entrar a graça pois o espinho só sairá pela graça). Contudo, se o espinho for retirado, você nunca experimentará a graça suficiente. Você nunca provará quão suficiente é tal graça. A graça mencionada aqui não é algo feito pelo Senhor ou dado por ele. É simplesmente o próprio senhor trabalhando dentro de você, sustentando-o, dando-lhe energia e o fortalecendo par encarar o problema, par enfrentar a situação. Isso é a graça viva, a verdadeira graça, e não é nada menos que Cristo como a corporificaçao da plenitude da Deidade (Cl.2:9) para nosso cozo. A Bíblia diz para procurarmos o Reino de Deus, com seu Advogado __ Jesus que todas as demais coisas nos seria acrescentadas inclusive o espinho.

Frequentei muitos cultos de oração e percebia que quanto as irmãs diziam amar ao Senhor, apesar de seus maridos não as acompanharem. Parecia que quanto mais elas oravam por eles, mais mundanos se tornavam. Isto também se repetiam em relação aos filhos e outras coisas. É claro, quanto mais essas irmãs eram importunadas e contrariadas, e mais perplexas ficavam com seus maridos e filhos, mas buscavam a razão deste porque, isto é, procuravam e procuram o Senhor e aí pode ser que, de tanto procurar a razão, encontre o motivo da graça que não o se ver livre do espinho. O espinho é exatamente a ponte que lhe levará a buscar a Jesus a Graça Gratuita de Deus. Quanto mais combustão tiver seu carro mais longe ele anda. Quando mais você sentir necessidade de conhecer Jesus mais fundo você irá até que não necessites mais de combustão (espinho) pois você já o procurará voluntariamente, já existirá uma necessidade em sua alma dele, não dá para ficar sem a razão de nosso viver __ Jesus.

Nosso entendimento não ode compreender isso porque o pensamento divino, o conceito divino, é muito diferente do nosso. Esperamos que certas coisas possam ser realizadas em nosso benefício pelo senhor mediante “Sua graça”. Por fim, contudo, nada é realizado. Nada é cumprido. As circunstâncias ao seu redor e sua situação não mudam. Você pode dizer que está totalmente desapontado, mas pode ser que ainda não esteja suficientemente desapontado. Pode ser que ainda necessite ser mais desapontado até que aprenda a experimentar a graça do Senhor. Precisamos aprendera a não esperar receber nada exteriormente nem a ter algo feito pelo senhor para nós, mas somente a desfrutar o próprio Senhor como a graça de Deus.

O Senhor atribuiu a determinado cooperador que conheço, outro cooperador que lhe era esquisito e problemático. Ele pediu ao Senhor muitas vezes par ser gracioso e misericordioso para consigo, par que não tivesse de trabalhar com aquele irmão. Após muitos anos, não houve resposta a esta oração e nada levou embora seu cooperador. Por fim, esse irmão foi subjugado pelo senhor e percebeu que tinha de aceitar esse espinho. Então ele orou: “Senhor, como te agradeço por esse espinho precioso e querido em mim. Por meio disso posso experienciar-te mais e mais como minha graça”. Ele aprendeu a lição de como desfrutar o Cristo vivo como graça, a corporificação de toda a plenitude da Deidade em nosso interior para nosso cozo.

Do gozo do próprio Cristo como graça surge o Corpo de Cristo. O Corpo de Cristo não pode surgir, não pode ser trazido á nossa experiência prática, somente mediante ensinamentos. A vida prática do Corpo de Cristo somente pode surgir a partir do desfrutar em Cristo como a graça de Deus. Quanto mais o desfrutamos, mais iremos tomar posse dele. Ao tomarmos posse de Cristo como nossa graça, a vida prática da igreja será produzida.

O templo, a edificação de Deus para o descanso de Deus, para a expressão de Deus, e a virgem para a satisfação de Cristo, advêm do como de Cristo como a graça de Deus, que é prefigurado pela boa terra de Canaã. A graça de Cristo é o desfrute da terra. Quando desfrutamos Cristo como a graça de Deus, estamos desfrutando as riquezas da boa terra. Enquanto desfrutamos as insondáveis riquezas de Crist o (Ef.3:8), ele será trabalhado em nosso interior. Então todo nosso ser será completamente saturado com todos elementos e Cristo enquanto o desfrutamos diariamente. A partir do desfrute e posse interiores de Cristo surge a edificação do Corpo que é a virgem, a noiva para Cristo, para Sua satisfação e o templo, o lugar de habitação de Deus, para Seu descanso. A vida prática da igreja não pode ser compreendida simplesmente por ensinamento ou visões, mas pelo desfrute de Cristo como a graça de Deus. (Notem que, assim como Jesus nasceu de um ventre humano __ chamado de “virgem” da mesma forma o corpo do Senhor é formado no interior do nascido de novo, no meio de uma igreja “virgem”, isto é, despida da maldade das coisas religiosas do mundo).

Precisamos ter uma visão panorâmica de toda a carta de 2ª Coríntios a fim de visualizarmos a maneira de desfrutar

 

A MANEIRA DE DESFRUTAR CRISTO COMO GRAÇA

Cristo. Alguns podem responder que para desfrutar Cristo precisamos orar e ler a Palavra e exercitar o espírito. Isso é verdade, mas para desfrutarmos Cristo realmente de uma maneira rica, precisamos ser as pessoas que são simbolizadas pelos dez aspectos que vimos nos capítulos anteriores. Temos de ser cativos, cartas, espelhos, vasos, embaixadores, cooperadores, um templo, uma virgem, os que amam a igreja e aqueles que experimentam Cristo. Se desejamos desfrutar Cristo, temos de ser capturados, conquistados e subjugados por Ele. A despeito de quanto tentarmos exercitar nosso espírito, se não formos cativos de Cristo, ser-nos-á difícil desfrutarmos muito de Cristo como graça. O exercício do espírito e orar e ler podem não ajudá-lo muito porque você não foi ainda subjugado ou capturado por Cristo, estás solto no mundo conquistado, temporariamente pelo mal. Você também tem de ser uma carta sob Seu inscrever a todo o tempo no espírito. Como um espelho você deve estar sem o véu da religião com todas as suas tradições para contemplar e refletir o Senhor. Então necessitará ser um vaso, por um lado, par contê-Lo e para repetidamente recebê-Lo em seu interior, e por outro lado, para ser quebrado, reduzido, consumido a todo o tempo. Você tem de ser um embaixador sob a sua autoridade, representando-O em Seu interesse nesta terra, e tem de ser um cooperador atado a Ele como um. Não deve haver mais liberdade nem separação entre você e o Senhor. Então você será um templo total, completa e definitivamente separado para Ele para aperfeiçoar a santidade no temor de Deus. Também necessita ser uma virgem pura, casta e simples para satisfazê-lo e, espontaneamente, você será alguém que ama a igreja da qual é um membro. Você amará incondicionalmente a igreja a despeito de como ela o trate. Por fim, você necessitará ser um “degustador” de Cristo a todo o tempo. Mediante todos esses aspectos, poderemos desfrutar Cristo. Se temos todos esses aspectos, sempre que exercitarmos nosso espírito, provaremos Cristo. Sempre que lermos orando a Palavra, estaremos sorvendo o doce antegozo de Cristo. Essa é a mensagem de 2ª Corintos.

 

A TRINDADE DIVINA TRANSMITIDA A NÓS PARA NOSSO DESFRUTAR

No final desta epístola, Paulo escreveu: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (13:13). Os três da Deidade são um, e amor, graça e comunhão não são três coisas separadas, mas três aspectos de uma única coisa. Deus, o Pai, está em Cristo (Jo 14:10), e Cristo é o Espírito (1ª Co 15:45; 2ª Co. 3:17). Semelhantemente, o amor de Deus está na graça de Cristo, e a graça de Cristo com amor de Deus está na comunhão do Espírito Santo. O amor de Deus é a fonte, desde que Deus é a origem; a graça do Senhor é o fluir do amor de Deus, uma vez que o Senhor é a expressão de Deus; e a comunhão do Espírito é a transmissão da graça do Senhor com o amor de Deus, uma vez que o Espírito é a transmissão do Senhor com Deus para nossa experiência e cozo do Deus Triúno __ o Pai, o Filho e o Espírito Santo, com Suas virtudes divinos. A comunhão do Espírito Santo transmite a graça de Cristo com amor de Deus nela para o nosso interior.

É por isso que Gálatas 6:18 diz “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito. Amém.” Deus está em Cristo, Cristo é o Espírito e o Espírito e o Espírito está em nosso espírito para nosso desfrutar. Deus para nós é o amor, Cristo para nós é a graça e o espírito para nós é a comunhão, a transmissão, transmitindo tudo o que Cristo é como graça, com tudo o que Deus é como amor Nele, para osso interior para nosso desfrute. Tudo o que Deus é em Sua Trindade está agora sendo transmitindo para nosso interior para nosso cozo. Isso é a boa terra, a terra rica, que mana leite e mel com todas as riquezas do Deus Triúno processado. Essas riquezas, para o nosso cozo, incluem o amor de Deus, a graça de Cristo e a transmissão do Espírito Santo para nossa experiência.

Espero que todos levem toda essa comunhão ao Senhor em oração a fim de que sejamos trazidos á percepção das riquezas de Cristo em 2ª Coríntios. Então haverá uma expressão viva do Corpo de Cristo em muitas cidades por meio da experiência de Cristo. Louvado seja Ele! Cristo é a graça como a boa terra para nosso desfrute, para produzir o templo para o descanso de Deus e a virgem para a satisfação de Cristo. 

 

Israel Sarlo

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